Comentários do apresentador no SBT geraram denúncia ao Ministério Público e reacenderam debate sobre transfobia, crime equiparado ao racismo no Brasil.

Ana Beatriz Publicado em 12/03/2026, às 17h40
O apresentador Ratinho gerou polêmica ao afirmar que a deputada Erika Hilton, mulher trans, não deveria ocupar a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, o que levou Hilton a solicitar uma investigação ao Ministério Público de São Paulo por possíveis crimes de discriminação.
As declarações de Ratinho provocaram reações nas redes sociais e reacenderam o debate sobre identidade de gênero e representatividade, especialmente considerando que atos de discriminação contra pessoas LGBTQIA+ podem resultar em penas de um a cinco anos de prisão, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal de 2019.
O SBT se manifestou repudiando a discriminação e esclarecendo que as opiniões do programa não refletem a posição da emissora, enquanto o caso continua em análise, podendo resultar em investigação ou processo judicial dependendo das decisões das autoridades competentes.
O apresentador Ratinho, nome artístico de Carlos Roberto Massa, tornou-se alvo de forte repercussão política e jurídica após declarações feitas durante seu programa no SBT sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio levantou questionamentos sobre possíveis consequências legais e levou a parlamentar a acionar o Ministério Público de São Paulo pedindo investigação.
A polêmica começou quando Ratinho comentou, ao vivo, a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante o programa, o apresentador afirmou que, em sua visão, a deputada “não é mulher, é trans” e questionou o fato de uma mulher trans ocupar o cargo. Ele também declarou que, para ser considerada mulher, seria necessário possuir características biológicas como útero e capacidade de menstruar.
As declarações provocaram reação imediata nas redes sociais e levaram a deputada a protocolar uma representação contra o apresentador no Ministério Público. Hilton argumenta que as falas configuram transfobia e pedem investigação sobre possível crime de discriminação.
A repercussão aumentou porque, no Brasil, atos de discriminação contra pessoas LGBTQIA+ podem ter consequências penais. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a homofobia e a transfobia devem ser enquadradas na Lei do Racismo até que exista legislação específica sobre o tema. Essa lei prevê penas de um a cinco anos de prisão e multa para crimes de discriminação.
Especialistas em direito explicam que, no caso específico de Ratinho, a situação dependerá da interpretação jurídica sobre o tipo de crime cometido. Segundo análise citada por especialistas, as declarações podem ser enquadradas como injúria racial, que ocorre quando a ofensa é direcionada a uma pessoa específica. Já o crime de racismo costuma ter caráter mais coletivo, atingindo um grupo inteiro.
Mesmo que haja condenação, juristas afirmam que a prisão imediata não costuma ocorrer em casos semelhantes. Normalmente, as penas podem incluir multa, indenização ou outras medidas alternativas, dependendo do entendimento da Justiça e da gravidade da conduta.
Outro fator analisado juridicamente é o alcance da declaração. Como a fala foi feita em um programa exibido em rede nacional de televisão, isso pode influenciar a avaliação da Justiça, já que o uso de meios de comunicação de grande alcance pode agravar a responsabilidade do autor da declaração.
O caso também reacendeu o debate público sobre identidade de gênero, liberdade de expressão e representatividade política. Erika Hilton é uma das principais lideranças trans no Congresso Nacional e tem trajetória marcada pela defesa de direitos humanos e da população LGBTQIA+. Antes de se tornar deputada federal, ela ganhou notoriedade ao ser eleita vereadora mais votada da cidade de São Paulo em 2020.
Após a repercussão do episódio, o SBT divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as opiniões expressas no programa não representam necessariamente a posição institucional da emissora.
O caso segue em análise e poderá ter novos desdobramentos dependendo da decisão das autoridades sobre a abertura de investigação ou eventual processo judicial.
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