A Transwolff, sob intervenção desde abril de 2024, é investigada por supostas ligações com o PCC e práticas de lavagem de dinheiro

William Oliveira Publicado em 27/01/2026, às 08h21
A Prefeitura de São Paulo firmou um contrato emergencial com a empresa Sancetur, que assumirá a operação das 133 linhas de ônibus atualmente controladas pela Transwolff a partir do próximo domingo (1º). A Transwolff está sob intervenção municipal desde 9 de abril de 2024, após investigações apontarem supostas práticas de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a administração municipal, a Sancetur iniciará uma operação assistida, com o objetivo de garantir a continuidade do transporte público na zona Sul da capital, sem prejuízos aos cerca de 555 mil passageiros atendidos diariamente. A Prefeitura também assegurou a manutenção dos empregos, bem como o pagamento regular de salários, benefícios e o cumprimento de contratos com fornecedores.
Desde o início da intervenção na Transwolff, a Sancetur já havia sido designada para operar provisoriamente as linhas. A empresa, no entanto, também se tornou alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em abril do ano passado, no contexto das investigações sobre lavagem de dinheiro e suposto favorecimento ao PCC.
Em decisão recente, a Justiça concedeu uma liminar que suspende o decreto de caducidade responsável pela rescisão dos contratos entre a Prefeitura e a concessionária Transwolff.
O caso envolvendo a Transwolff e outra empresa do setor, a UPBus, é alvo da Operação Fim da Linha. As apurações indicam que recursos utilizados para ampliar o capital da Transwolff podem ter origem ilícita, supostamente ligada às atividades do PCC. Segundo os investigadores, o esquema envolveria o uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, práticas recorrentes em mecanismos de lavagem de dinheiro.
Diante dessas suspeitas, a Prefeitura iniciou, em dezembro de 2024, o processo de rescisão dos contratos com as empresas Transwolff e UPBus. Em nota, a defesa da Transwolff negou qualquer vínculo com organizações criminosas ou atividades ilegais e afirmou que irá questionar judicialmente as medidas adotadas pelo poder público.
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