Ricardo Nunes afirma desconhecer proprietário de imóvel luxuoso usado em 2022, que pertence a empresário com contratos milionários com a prefeitura.

por Marina Milani
Publicado em 07/12/2024, às 10h26
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou não saber que o apartamento de luxo que alugou em 2022 pertencia a Fernando Marsiarelli, dono de uma empreiteira que possui mais de R$ 600 milhões em contratos emergenciais com a prefeitura. O imóvel, localizado na Zona Sul da cidade, foi utilizado pela família Nunes por quatro meses enquanto sua residência passava por reformas.
Em entrevista à TV Globo, Nunes afirmou que a negociação para locação foi realizada exclusivamente com a imobiliária Lopes Invest House e que ele não tinha conhecimento do proprietário na época. “Nós pagávamos para a imobiliária, e só depois, ao buscar comprovantes, vi que aparecia o nome Fernando”, disse.
O apartamento, com 300 metros quadrados e localizado em um edifício de alto padrão no bairro Jurubatuba, está registrado em nome da empresa Imóveis Ravello Ltda., de propriedade de Marsiarelli. Além disso, a F.F.L. Sinalização, também pertencente a Marsiarelli, obteve contratos emergenciais com a prefeitura desde 2021 para obras de infraestrutura, como manutenção de pontes e margens de córregos, sem licitação.
Nunes também explicou que parte do valor do aluguel, de R$ 48 mil, foi paga pela imobiliária de Ronaldo Farias, ex-diretor da autarquia São Paulo Obras (SPObras) e indicado pelo prefeito ao cargo. Segundo Nunes, Farias tinha uma dívida pessoal com ele e compensou R$ 35 mil do total por meio do pagamento do aluguel.
Essa relação levantou questionamentos, uma vez que Farias já esteve envolvido em contratos com creches conveniadas da prefeitura. Apesar disso, o prefeito nega qualquer irregularidade: “Tudo foi feito dentro da legalidade, seguindo os trâmites regulares. Não há nada que comprometa a lisura do processo.”
Os contratos da empreiteira de Marsiarelli com a prefeitura, somando R$ 600 milhões, foram firmados com dispensa de licitação. Essas contratações emergenciais, conforme apontado pelo Tribunal de Contas do Município, envolvem obras essenciais em infraestrutura, mas levantam preocupações sobre transparência.
Em nota, a Imóveis Ravello afirmou que a negociação do aluguel não envolveu Marsiarelli diretamente e que o contrato foi mediado pela imobiliária Lopes. A empresa destacou que todos os pagamentos foram feitos normalmente e que Marsiarelli não conhece o prefeito.
A situação gerou críticas e abriu margem para investigações adicionais. A Procuradoria Geral do Município (PGM) afirmou que aguardará notificações oficiais antes de tomar medidas cabíveis.
Para analistas políticos, o caso pode afetar a imagem de Ricardo Nunes, que busca consolidar sua gestão à frente da maior cidade do país. O prefeito, entretanto, refuta qualquer insinuação de favorecimento: “Não aceito que coloquem meu nome em situações ilegais ou duvidosas. Tudo foi feito com total transparência.”
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