Acusados podem ser indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção

Gabriela Thier Publicado em 14/08/2025, às 18h02
O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, do Podemos, foi suspenso de suas funções por um ano após uma operação da Polícia Federal, realizada na última quinta-feira (14), que investiga um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a administração municipal. A ação resultou na prisão de dois empresários e um servidor público.
As investigações foram desencadeadas após a descoberta, no mês passado, de aproximadamente R$ 14 milhões, incluindo uma quantia em dólares, nas mãos de um servidor identificado como o operador financeiro do prefeito. A Polícia Federal(PF) informou que existem evidências de corrupção e pagamentos de propinas relacionados a contratos com empresas nas áreas de obras, saúde e manutenção.
Na operação, que ainda está em andamento, foram apreendidos cerca de R$ 1,9 milhão em dinheiro vivo, embora a contagem completa não tenha sido finalizada até o momento. A PF havia solicitado a prisão do prefeito, mas o pedido foi negado pela Justiça. Contudo, o juiz determinou seu afastamento do cargo e impôs medidas restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.
Danilo Lima Ramos, presidente da Câmara Municipal e primo do prefeito, também teve seu afastamento determinado por decisão judicial. Outro implicado na operação é Ary José de Oliveira, suplente de vereador pelo PRTB.
A vice-prefeita Jessica Cormick, do Avante, assume interinamente a administração da cidade. Aos 38 anos e com formação como sargento da Polícia Militar, este é o primeiro cargo eletivo dela.
Na ação policial batizada de Estafeta, os empresários Edmilson Carvalho e Caio Fabbri foram detidos. Ambos possuem contratos com a prefeitura e grandes quantias foram encontradas em suas residências durante as buscas. Além deles, Antonio Rene da Silva, servidor municipal que atua na Secretaria de Coordenação Governamental, também foi preso sob um mandado existente.
A defesa dos acusados ainda não foi localizada para se manifestar sobre os fatos. Em comunicado oficial, a Prefeitura de São Bernardo manifestou sua disposição em colaborar com as investigações e assegurou que as operações municipais não serão prejudicadas.
A investigação teve início com a apreensão inicial de quase R$ 13 milhões e US$ 157 mil em espécie em posse do servidor Paulo Iran. Este foi abordado enquanto a PF realizava outra operação e acabaram por descobrir a quantidade significativa de dinheiro que ele possuía. Na ocasião, ele não foi preso imediatamente; no entanto, a análise de seu celular revelou uma estreita relação com o prefeito.
Conforme informações da polícia, Paulo Iran cuidava das despesas pessoais do prefeito e sua família. Ele ocupava o cargo de assessor do deputado Rodrigo Moares (PL), que anunciou sua exoneração após tomar conhecimento das investigações.
A PF está executando ainda 20 mandados de busca e apreensão e realizando quebras de sigilos bancário e fiscal em diversas cidades da região metropolitana. As ordens judiciais foram emitidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e incluem afastamentos temporários e monitoramento eletrônico dos envolvidos.
Os acusados poderão ser indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa ou passiva. A reunião agendada entre os prefeitos da região do ABC Paulista com o prefeito da cidade de São Paulo foi cancelada logo após a divulgação da operação federal.
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