Instituição brasileira deixou de pagar aluguel de mais de US$ 400 mil mensais e virou alvo de ação judicial nos Estados Unidos após liquidação pelo Banco Central.

Ana Beatriz Publicado em 25/01/2026, às 10h28 - Atualizado às 10h28
O edifício corporativo mais exclusivo de Miami, nos Estados Unidos, ingressou com uma ação judicial para despejar o Banco Master, que acumula meses de inadimplência no pagamento do aluguel de dois andares alugados no imóvel. O contrato, firmado em julho de 2024, previa o desembolso de cerca de US$ 58 milhões ao longo de dez anos.
Segundo a ação protocolada na Justiça estadual do condado de Miami-Dade, o banco deixou de pagar o aluguel mensal de US$ 423.320 a partir de setembro, mesmo sem jamais ter ocupado ou adaptado o espaço no prédio 830 Brickell Plaza, considerado o mais caro entre os edifícios corporativos da cidade.
A disputa judicial ocorre em meio à liquidação do Banco Master, conduzida pelo Banco Central do Brasil, após a instituição ser alvo de investigações por suspeitas de fraude. Os advogados do banco alegaram à Justiça americana que o processo de despejo deveria permanecer suspenso, uma vez que a recuperação judicial tramita simultaneamente no Brasil e em Miami.
O proprietário do edifício rescindiu o contrato pouco depois da prisão de Daniel Vorcaro, controlador majoritário do Banco Master, detido pelas autoridades brasileiras em novembro. Além disso, o nome da instituição foi removido das placas externas do prédio.
A ação judicial se soma a uma sequência de episódios que marcam a rápida derrocada do banco, que tinha planos ambiciosos de expansão internacional. O Banco Central classificou o caso como um dos mais graves já enfrentados pelo sistema financeiro nacional, em meio a indícios do que pode se tornar o maior escândalo de fraude bancária da história do país.
Endereços de prestígio
Antes do colapso, o Banco Master buscava consolidar sua imagem em endereços de alto padrão. Em São Paulo, a sede funcionava em um edifício que abriga empresas como o Banco BTG Pactual e a Alphabet, controladora do Google, no coração do distrito financeiro da capital.
No exterior, além de Miami, a instituição chegou a analisar a locação de escritórios de luxo no edifício 22 Bishopsgate, em Londres, no fim de 2024. O plano, no entanto, foi suspenso pouco antes do agravamento da crise, conforme noticiado pelo Financial Times.
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