Operação do Ministério Público aponta infiltração da facção em órgãos públicos e esquema de extorsão com uso de informações sigilosas

Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 08h27
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) resultou, nesta terça-feira (9), na prisão temporária de um chefe de investigadores da Polícia Civil, um policial penal e um ex-estagiário do próprio órgão. Os três são suspeitos de manter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de integrar um esquema que envolvia vazamento de informações sigilosas, extorsão e um plano para assassinar um promotor de Justiça.
Batizada de Operação Infiltrados, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e representa um novo desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White. Além das prisões, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam atuado em benefício da organização criminosa, fornecendo informações privilegiadas e utilizando cargos públicos para facilitar atividades ilegais. Os investigadores também apuram possíveis casos de corrupção de agentes públicos, quebra de sigilo funcional e infiltração de integrantes da facção em instituições do Estado.
As apurações tiveram origem em uma investigação iniciada em agosto de 2025, quando o Gaeco identificou um suposto plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, integrante do grupo especializado no combate ao crime organizado. Durante o avanço das diligências, os investigadores descobriram que um dos suspeitos de coordenar a execução do atentado teria se encontrado com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas poucos dias antes da operação ser deflagrada.
Vídeos obtidos pelos investigadores registraram o encontro entre os envolvidos. Agora, o Ministério Público busca esclarecer quais informações sensíveis teriam sido compartilhadas durante a reunião e de que forma elas poderiam beneficiar integrantes da facção.
Outra frente da investigação revelou um esquema de extorsão contra criminosos com elevado poder financeiro. Segundo o Gaeco, o responsável direto pela prática seria um estagiário que atuava em uma Promotoria Criminal de Campinas. A suspeita é de que ele tenha se infiltrado no órgão com o objetivo de acessar sistemas internos e identificar possíveis alvos.
Com acesso a bancos de dados restritos, o ex-estagiário teria levantado informações sobre investigados e utilizado esse material para exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações e operações policiais.
As investigações apontam ainda a participação de um policial penal e de um ex-policial civil, que já havia sido expulso da corporação anos atrás após condenação relacionada ao crime de extorsão mediante sequestro. Há também indícios de que parte das ações criminosas tenha sido realizada com o uso da conexão de internet de um escritório de advocacia.
A operação contou com o apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de Campinas, além das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal. O caso segue sob investigação para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre a influência da facção em órgãos públicos.
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