Influenciador conhecido como “Diabo Loiro” e o filho estão entre os principais alvos da Operação Caronte

Letícia Sales Publicado em 08/05/2026, às 08h02
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do estado de São Paulo deflagraram, na manhã desta sexta-feira (8), a Operação Caronte, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
O principal alvo da operação é o influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”. Ele já havia sido preso em 2025 em uma investigação conduzida pelo Gaeco de Campinas, suspeito de envolvimento em um plano da facção criminosa para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
Segundo as investigações, empresas dos setores de transporte e rodeios teriam sido utilizadas para movimentar recursos de origem ilícita por meio de sócios “laranjas”.
Núcleo familiar sob investigação
O filho de Eduardo Magrini, Mateus Magrini, também é investigado e teve mandados de busca cumpridos nesta sexta-feira. De acordo com os investigadores, ele é suspeito de movimentar dinheiro ilícito utilizando uma empresa ligada ao ramo musical.
Mateus já havia sido alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, investigação que também atingiu o funkeiro MC Ryan, apontado como ex-enteado de “Diabo Loiro”.
Para a força-tarefa, as relações familiares reforçam a suspeita de que o núcleo familiar atuava em conjunto em operações de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
Ostentação nas redes sociais
As investigações apontam que Eduardo Magrini movimentava valores incompatíveis com a renda declarada desde 2016. A apuração ganhou força após análises fiscais e bancárias realizadas pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro (Lab-LD) e dados do Coaf identificarem movimentações consideradas suspeitas.
Antes de ser preso, Magrini utilizava as redes sociais para ostentar carros de luxo, viagens e participação em rodeios. Ele acumulava mais de 100 mil seguidores na internet e se apresentava como influenciador digital.
Segundo o Ministério Público, o investigado possui histórico criminal de aproximadamente 30 anos, incluindo condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde a década de 1990.
Mandados e bloqueio de bens
Ao todo, a Operação Caronte cumpre 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias dos investigados, além da apreensão de veículos e outros bens.
O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por transportar almas ao submundo de Hades.
Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado.
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