Diário de São Paulo
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INVESTIGAÇÃO

Polícia descobre farmácia clandestina que vendia canetas emagrecedoras em SP

Investigação revela manipulação de tirzepatida em canetas de insulina reutilizadas, com origem falsificada

Venda de tirzepatida exige prescrição médica - Imagem: Reprodução / TV Globo
Venda de tirzepatida exige prescrição médica - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 31/07/2025, às 12h38


Na última quarta-feira (30), a Polícia Civil desmantelou uma operação clandestina dedicada à manipulação e distribuição ilegal de medicamentos em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. O foco da investigação foi a tirzepatida, princípio ativo utilizado em canetas voltadas para o emagrecimento.

Segundo a delegada Nathalie Murcia, responsável pela ação, o local possuía CNPJ de farmácia, mas operava sem as autorizações legais exigidas para manipular ou comercializar esse tipo de substância.

No interior do estabelecimento, os agentes encontraram material alarmante: canetas de insulina reutilizadas e preenchidas com tirzepatida, frascos, seringas, etiquetas falsificadas e cadernos com nomes de clientes e instruções de uso. Algumas etiquetas traziam inscrições como “Made in USA” e “Paraguay”, simulando uma origem internacional para os produtos.

O responsável pelo esquema, Carlos Roberto Soares, de 70 anos, foi preso em flagrante enquanto carregava sua caminhonete com caixas prontas para envio postal. Ele se recusou a prestar depoimento. Carlos deverá responder por crimes contra a saúde pública, já que a importação, manipulação e venda da tirzepatida nesse formato são proibidas no Brasil.

De acordo com o boletim de ocorrência, as canetas originalmente continham insulina Apidra Solostar, fabricada pela Sanofi, mas foram adulteradas com tirzepatida de procedência desconhecida. A venda desse medicamento exige prescrição médica e deve ocorrer apenas com embalagens lacradas aprovadas pela Anvisa. Farmácias de manipulação não têm autorização para comercializar a substância, especialmente em formato de caneta.

Durante a operação, os policiais também encontraram registros de uma compra de 300 unidades de tirzepatida 5 mg adquiridas no Paraguai, totalizando mais de R$ 300 mil na moeda local. O material foi encaminhado para perícia e a Vigilância Sanitária foi acionada.


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