O pedido, protocolado na última sexta-feira (25), é direcionado ao médico Julio Cesar Acosta Navarro, de 60 anos, pai do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto em novembro de 2024

William Oliveira Publicado em 29/07/2025, às 12h57
Os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, acusados de assassinar o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta em novembro de 2024, solicitaram uma medida protetiva contra o pai da vítima. Ambos respondem ao processo em liberdade.
O pedido, protocolado na última sexta-feira (25) pelo advogado João Carlos Campanini, é direcionado ao médico Julio Cesar Acosta Navarro, de 60 anos. Até o momento, a Justiça não se manifestou sobre a solicitação.
Segundo a defesa, durante a audiência de instrução realizada em 10 de julho, Julio Cesar teria ofendido e tentado agredir o policial Guilherme, sendo contido pelos agentes responsáveis pela escolta dos réus.
Em entrevista ao g1, Julio Cesar demonstrou perplexidade ao receber a notificação na segunda-feira (28).
“É um mundo totalmente invertido, um mundo distópico. Como tudo isso é possível? [...] Como esses covardes que mataram e executaram o meu filho ainda choram? Que imagem [fica] para Polícia Militar? Que imagem para o país?”, questionou.
O médico afirmou que aquela foi a primeira vez que esteve frente a frente com os acusados, apesar de já ter tentado abordá-los anteriormente no batalhão onde atuam. “Tentei me aproximar e fui impedido. Fiz uma confusão no início”, relembrou.
Ao final da audiência, Julio Cesar gritou "assassinos, covardes" e tentou se aproximar dos réus, sendo retirado da sala por policiais militares.
Em profundo sofrimento, o pai descreveu sua dor: “Desde o dia 20 de novembro do ano passado, já faz mais de 8 meses, meu mundo acabou ao ver meu filho caçula ser assassinado dessa maneira [...] Desde então, eu morri muitas vezes. Morri esse dia. Morri o dia que soltaram os vídeos das câmaras corporais que se vê como ele foi executado. Morri quando a juíza em 13 de janeiro, no dia do meu aniversário de 60 anos, não mandou presos os assassinos.”
A medida pedida pela defesa dos policiais foi duramente criticada pelos escritórios que atuam como assistentes de acusação. A advogada Nayara Uzoukwu classificou a ação como "processualmente impertinente" e uma tentativa de intimidar a família da vítima. Para ela, trata-se de uma manobra desesperada para desviar o foco do crime cometido.
O caso teve início em 20 de outubro de 2024, durante uma abordagem policial na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Marco Aurélio, de 22 anos, estudante do quinto ano de medicina na Universidade Anhembi Morumbi, foi morto com um tiro à queima-roupa após uma confusão provocada por um tapa que deu no retrovisor de uma viatura, antes de tentar se refugiar em um hotel.
Câmeras de segurança registraram toda a ação. As imagens revelaram detalhes que colocaram em xeque a alegação dos policiais de que agiram em legítima defesa, gerando ampla repercussão e indignação diante da violência empregada.
Marco era o filho mais novo de médicos peruanos naturalizados brasileiros. Sua mãe, Silvia Mônica, destacou sua trajetória exemplar desde a infância. À época do crime, o então ouvidor das Polícias de São Paulo, Claudio Silva, declarou que o caso evidenciava falhas graves na conduta das forças de segurança do estado.
Apesar da conclusão do inquérito policial, que apontou que o agente assumiu o risco ao atirar em uma situação injustificável, a Justiça negou a prisão preventiva dos acusados. A juíza Luciana Scorza determinou que os réus poderiam responder em liberdade, mediante condições cautelares.
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