Além do cirurgião-dentista especializado, equipes médicas e de enfermagem garantem a segurança do paciente durante a sedação

Jair Viana Publicado em 07/04/2025, às 08h00
O atendimento odontológico com anestesia geral para pacientes com necessidades especiais envolve uma estrutura multidisciplinar, desde a triagem nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) até a realização de procedimentos em centros cirúrgicos. Além do cirurgião-dentista especializado, equipes médicas e de enfermagem garantem a segurança do paciente durante a sedação, monitorando sinais vitais em ambiente hospitalar. Casos que não respondem ao manejo comportamental nas UBSs são encaminhados ao Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) via sistema de regulação. Se as dificuldades persistem, o paciente é direcionado a hospitais dia ou municipais credenciados, como o HD Vila Guilherme ou o Hospital do Campo Limpo, onde procedimentos cirúrgicos podem durar até duas horas e meia.
O processo exige planejamento detalhado: exames de imagem e laboratoriais são solicitados na primeira consulta, além de avaliações cardiológicas e anestésicas. “Nosso objetivo é eliminar focos de infecção, tratar cáries e prevenir complicações sistêmicas”, explica Mariana Besseler, cirurgiã-dentista do HD Vila Guilherme, especializada em pacientes com autismo, paralisia cerebral e síndromes raras. Formada pela USP, ela destaca a importância do diálogo com familiares: “Explicamos riscos, benefícios e expectativas para garantir adesão ao tratamento”.
Atualmente, sete unidades na capital paulista oferecem o serviço, incluindo hospitais dia nas zonas norte, sul e leste. Após a cirurgia, o acompanhamento pós-operatório é feito pelo dentista responsável, com orientações aos cuidadores sobre higiene bucal. O paciente retorna então à UBS de origem, onde equipes locais assumem a promoção de saúde bucal. “A contra referência é essencial para evitar recorrências”, ressalta Marta, responsável pelo fluxo de encaminhamentos via SIGA.
Apesar da estrutura disponível, desafios persistem. A demanda por vagas em centros especializados muitas vezes supera a capacidade instalada, e a dependência de regulação pode prolongar o tempo de espera. Enquanto a rede pública busca ampliar o acesso, profissionais como Mariana reforçam a necessidade de humanização: “Cada caso exige sensibilidade. Não tratamos apenas dentes, mas pessoas com histórias únicas”. A integração entre atenção básica e serviços de alta complexidade segue como um modelo em construção, dependente de investimentos e da qualificação contínua das equipes.
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