Polícia e Ministério Público cumprem mandados contra grupo suspeito de movimentar bilhões com plataformas clandestinas de jogos online

Letícia Sales Publicado em 28/05/2026, às 11h02
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (28) a “Operação Falsa Las Vegas”, que mira uma organização suspeita de operar plataformas ilegais de apostas online e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada e contas em nome de terceiros.
Segundo os investigadores, o grupo explorava jogos proibidos no Brasil, como o “Jogo do Tigrinho” e o “Jogo do Bicho”, utilizando uma estrutura financeira sofisticada para ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade às operações.
A ofensiva é um desdobramento da Operação Falso Mercúrio, que já investigava crimes financeiros relacionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Na nova fase da investigação, estão sendo cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva.
O Ministério Público também solicitou o bloqueio de bens, imóveis, veículos e contas bancárias dos investigados. Segundo o balanço divulgado pela força-tarefa, 76 imóveis foram sequestrados e mais de R$ 5,2 bilhões em patrimônio acabaram bloqueados durante as investigações.
De acordo com a polícia, o esquema funcionava por meio de duas plataformas distintas. Uma delas, chamada “Aposte Fácil”, operava oficialmente vinculada à empresa APF Tecnologia e utilizava referências à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), além de processamento financeiro pela Riopag, o que ajudava a transmitir uma imagem de regularidade.
Paralelamente, os investigados mantinham a plataforma clandestina “Black Vegas”, hospedada fora do Brasil e voltada à exploração de jogos ilegais. Os pagamentos eram feitos via PIX e direcionados para empresas intermediárias, estratégia usada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
As investigações apontam que a sede da ASX Participações e Tecnologia funcionava como centro operacional do esquema. Durante a operação, agentes apreenderam documentos financeiros, anotações relacionadas às plataformas de apostas e registros sobre fornecimento de máquinas de pagamento.
Segundo os investigadores, a organização possuía divisão interna de funções. Enquanto um núcleo cuidava diretamente da exploração dos jogos, operadores financeiros seriam responsáveis pelas movimentações bancárias e distribuição dos valores entre diversas contas. Outros integrantes atuariam no abastecimento de dinheiro em espécie e na pulverização dos depósitos para ocultar a origem dos recursos.
A investigação também identificou o uso de empresas de fachada e “laranjas” para movimentar o dinheiro. Pessoas registradas oficialmente como sócias afirmaram à polícia que apenas emprestavam documentos em troca de pagamentos mensais, enquanto terceiros controlavam efetivamente as contas bancárias e os negócios.
Segundo a Polícia Civil, uma das empresas apontadas como peça importante do esquema é o Grupo IRKA, investigado por atuar como elo financeiro entre operadores das plataformas ilegais e integrantes do PCC.
As análises financeiras também identificaram transferências realizadas para pessoas investigadas por vínculos com a facção criminosa, incluindo suspeitos citados no inquérito que apura o assassinato de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach.
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