Diário de São Paulo
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Combate ao crime organizado

Operação contra o Comando Vermelho prende cinco pessoas em SP

Ação do Ministério Público e da Polícia Civil bloqueou mais de R$ 33 milhões e mira estrutura da facção na região de Rio Claro

Polícia desarticula grupo ligado ao Comando Vermelho em SP. - Imagem: Reprodução/Agência SP.
Polícia desarticula grupo ligado ao Comando Vermelho em SP. - Imagem: Reprodução/Agência SP.

Erika Osti Publicado em 11/03/2026, às 19h38


Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil prendeu cinco pessoas nesta quarta-feira (11) durante uma ofensiva contra a estrutura do Comando Vermelho no interior paulista. A ação, batizada de Operação Linea Rubra, teve como foco desarticular a logística, o esquema financeiro e as atividades operacionais da facção criminosa que atuava principalmente na região de Rio Claro. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 33,6 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis e veículos ligados ao grupo investigado.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em parceria com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil, durou cerca de oito meses e identificou uma estrutura considerada profissionalizada. Segundo as autoridades, o grupo é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios, além de atuar em disputas violentas por território no interior paulista.

Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva em cidades como Rio Claro, Ribeirão Preto, Indaiatuba e São Carlos. Ao todo, a Justiça expediu 19 mandados de prisão, sendo que seis alvos já estavam detidos anteriormente e outros investigados seguem foragidos.

Também foram executados mandados de busca e apreensão em diversos endereços no estado de São Paulo e em Minas Gerais. A ofensiva mobilizou cerca de 120 policiais civis, três promotores de Justiça, 41 viaturas, além do helicóptero do Serviço Aerotático da Polícia Civil. Auditores da Secretaria da Fazenda também participaram da ação e identificaram possíveis irregularidades fiscais em empresas relacionadas ao grupo.

As investigações apontam que a organização utilizava veículos adaptados com fundos falsos, conhecidos como “carros-cofre”, para transportar drogas e outros materiais ilícitos. Para ocultar os lucros obtidos com as atividades criminosas, o grupo recorria a empresas de fachada e a pessoas usadas como “laranjas”, movimentando dinheiro por meio de transferências via Pix, TED e depósitos em espécie.

Em menos de um mês, a polícia identificou movimentações financeiras superiores a R$ 1,19 milhão vinculadas ao esquema. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos ligados a 35 CPFs e CNPJs, além do sequestro de 12 imóveis e 103 veículos. Parte desses automóveis já foi localizada e apreendida durante as diligências.

Entre os investigados está um empresário de Rio Claro, dono de uma garagem de veículos, preso em um condomínio de alto padrão. No local, policiais apreenderam documentos, celulares e armas que ainda terão a legalidade verificada.

Segundo as autoridades, a operação ocorre em meio ao aumento da violência na região, impulsionado por disputas entre facções criminosas. As apurações indicam que uma liderança local teria se aliado ao Comando Vermelho, intensificando o conflito com grupos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O principal alvo da investigação é Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Bode. Apontado como líder da facção na região, ele é considerado foragido e suspeito de coordenar a produção e distribuição de drogas, administrar recursos milionários do grupo e autorizar execuções de rivais.

De acordo com o Ministério Público, o nome Linea Rubra, que significa “linha vermelha” em latim, simboliza a tentativa de impor um limite ao avanço territorial da facção no estado de São Paulo. As autoridades afirmam que esta é apenas a primeira fase da operação e que novas ações podem ocorrer a partir da análise do material apreendido.


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