Prefeito cita prisão de Nicolás Maduro e reforça que a capital tem estrutura para receber imigrantes, caso o fluxo continue.

Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 07h51
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (5) que espera uma redução da migração de venezuelanos para a capital paulista após a captura de Nicolás Maduro pelas autoridades dos Estados Unidos. Apesar disso, garantiu que a cidade seguirá aberta ao acolhimento caso novos imigrantes cheguem.
“Espero que não venham, porque agora não há mais necessidade. Mas, se vierem, a cidade de São Paulo vai receber todos com muito carinho, como sempre fez”, declarou o prefeito durante entrevista coletiva.
Segundo Nunes, a expectativa é de que o afastamento de Maduro diminua a necessidade de fuga da população venezuelana. Ele classificou o ex-presidente como um “ditador ilegítimo” e afirmou que milhões de pessoas foram forçadas a deixar o país nos últimos anos. “A gente espera que com essa situação do afastamento dele diminua a necessidade de que as pessoas fujam”, disse.
O prefeito destacou que o município dispõe atualmente de 27 mil vagas em abrigos, das quais 21 mil estão ocupadas. As declarações foram dadas após a entrega de títulos de regularização fundiária da CDHU, ao lado do governador em exercício Felicio Ramuth, na zona sul da capital.
Durante a coletiva, Nunes também afirmou que o debate sobre direito internacional não pode se sobrepor ao que chamou de direito fundamental à dignidade humana. Ele citou relatos de venezuelanos nas redes sociais que pedem para que terceiros não opinem sobre uma realidade que não vivenciaram.
Dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social indicam que a Prefeitura de São Paulo acolhe atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos na rede socioassistencial. Eles estão distribuídos em centros de acolhida exclusivos para estrangeiros, nas Vilas Reencontro e em outros equipamentos municipais. Em 2025, o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) Oriana Jara atendeu 1.538 venezuelanos, oferecendo orientação migratória e acesso a direitos sociais.
O Centro de Acolhida Especial para Famílias (Caef) Ebenezer, que abriga 157 imigrantes — entre eles cinco famílias venezuelanas —, segue funcionando após decisão liminar da Justiça que suspendeu o fechamento anunciado pela prefeitura no fim do ano passado.
Organizações da sociedade civil também acompanham com atenção o cenário. Instituições como a Missão Paz e a Cáritas alertam para a falta de infraestrutura e para a possibilidade de aumento do fluxo migratório. Segundo representantes dessas entidades, o país hoje enfrenta dificuldades para absorver um novo contingente de refugiados, especialmente após o desmonte de políticas como a Operação Acolhida.
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