Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, foi em maio na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra

William Oliveira Publicado em 06/08/2025, às 08h00
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), autorizou a transferência de Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), para o sistema penitenciário estadual.
A decisão, proferida na sexta-feira (1º), determinou que o Departamento Penitenciário Nacional, a Justiça Federal e a Polícia Federal coordenem o processo de remoção. Tuta será encaminhado à Penitenciária de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima no interior paulista.
Considerado sucessor de Marcola no comando da facção, Tuta foi capturado em maio na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra. Após ser extraditado, passou a cumprir prisão no presídio federal de Brasília, enquanto aguardava definição sobre seu destino penitenciário.
No Brasil, o criminoso possui duas ordens de prisão ligadas a investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele foi um dos principais alvos da Operação Sharks, deflagrada em 2020. Durante as investigações, fugiu do país e passou a figurar na lista de foragidos da Interpol.
Nos últimos dias, tanto o Ministério Público quanto a Secretaria de Administração Penitenciária manifestaram apoio à transferência, alegando não haver fundamentos para sua permanência no sistema federal por razões de segurança pública.
Tuta foi preso novamente em 16 de agosto na Bolívia, ao apresentar documentos falsos na tentativa de renovar a cédula de identidade de estrangeiro. A ação foi conduzida pela Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen. Ao ser identificado como procurado internacional, a Polícia Federal foi acionada.
Na ocasião, um major da polícia boliviana também foi preso, suspeito de oferecer proteção ao traficante durante seu período de fuga. A identidade do oficial foi confirmada, e ele aguarda os trâmites legais que podem resultar em extradição.
Tuta já foi condenado em primeira instância por organização criminosa e responde a outros processos ligados ao tráfico e outras atividades ilícitas. A Operação Sharks revelou sua ascensão na hierarquia do PCC após a remoção de Marcola para o sistema federal, em 2019.
Segundo o Ministério Público, a nova estrutura da facção foi mapeada em 2020, com Tuta assumindo papel central dentro e fora dos presídios. Os promotores acreditam que ele foi escolhido por Marcola para liderar a organização, o que representou uma reconfiguração estratégica do grupo criminoso.
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