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Adultização

MP-SP formaliza uma denúncia contra um hacker que ameaçou Felca

Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, é acusado de ameaçar influenciador digital e psicóloga

Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, é acusado de ameaçar influenciador digital e psicóloga - Imagem: Divulgação / Polícia Civil
Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, é acusado de ameaçar influenciador digital e psicóloga - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

Gabriela Thier Publicado em 05/09/2025, às 18h39


O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) formalizou uma denúncia contra um hacker, identificado como Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, após ele ter ameaçado o influenciador digital conhecido como Felca e uma psicóloga, em virtude da polêmica gerada pelo videodocumentário "Adultização", lançado no mês passado.

Cayo foi detido pela polícia paulista em 25 de agosto em Olinda, Pernambuco, onde permanece sob custódia. Na última terça-feira (2), a Promotoria apresentou acusações de ameaça, associação criminosa e corrupção de menor contra ele. A expectativa é que, caso a Justiça aceite a denúncia, o hacker se torne réu no processo; até o momento, não há uma decisão judicial definitiva sobre o caso.

A denúncia revela que Cayo enviou mensagens ameaçadoras ao youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, e à psicóloga Ana Beatriz Chamati. Em suas comunicações por e-mail e telefone, ele exigiu que as vítimas retirassem o documentário do ar, após este ter se tornado viral nas redes sociais.

O vídeo produzido por Felca foi divulgado em 6 de agosto e discute a exploração e sexualização de crianças e adolescentes na internet. O documentário recebeu ampla cobertura da mídia e incluiu contribuições da psicóloga Ana Beatriz, que analisou os perigos associados à exposição das crianças nesse contexto.

Cayo estava vinculado a um grupo no Discord e Telegram com mais de 700 indivíduos sob monitoramento da Polícia Civilde São Paulo devido a atividades criminosas na internet. De acordo com o MP-SP, ele integra uma organização criminosa digital denominada "Country", que é alvo de investigações relacionadas à pedofilia, estupros virtuais e ameaças a autoridades.

No decorrer do interrogatório policial, Cayo negou sua associação com o grupo "Country". Além dele, um adolescente de 17 anos foi apreendido em Arapiraca, Alagoas, após ser convencido por Cayo a participar das atividades ilícitas do grupo. Este menor também permanece sob custódia.

Outro suspeito, Paulo Vinicius Oliveira Barbosa, de 21 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia da detenção de Cayo. Embora não estivesse inicialmente sob investigação pela polícia paulista, sua prisão se deu devido a indícios de que participava do mesmo grupo que acessava sistemas governamentais de maneira ilegal.

As investigações indicam que Cayo tentou falsificar um mandado de prisão contra Felca com a intenção de inseri-lo no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), mas foi impedido pela polícia antes que pudesse concluir esse ato. Ele também promovia seus serviços criminosos nas redes sociais com tabelas que variavam entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por atividade.

De acordo com o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado, os integrantes do grupo "Country" estão envolvidos na distribuição e comercialização de imagens de abuso sexual infantil, além de perpetrar atos de violência virtual e fazer apologia ao nazismo.

A Polícia Civil elaborou uma lista com 708 usuários ativos no grupo, muitos dos quais utilizavam apelidos para encobrir suas identidades. As trocas dentro do grupo incluíam fotos e vídeos explícitos envolvendo menores de idade, que frequentemente eram vítimas de chantagens após o vazamento dessas imagens na internet.

Cayo é considerado um dos líderes do grupo "Country", utilizando codinomes como Lammer e F4llen. Ele decidiu junto ao adolescente enviar mensagens ameaçadoras para Felca e Ana Beatriz. Ambos procuraram as autoridades para relatar as ameaças recebidas.

No decorrer do seu interrogatório, embora tenha negado as acusações de ameaça, Cayo admitiu comercializar dados sensíveis relacionados a sistemas governamentais nas redes sociais, revelando que obteve mais de R$ 500 mil por essas atividades ilegais.

Desde novembro do ano passado, o Núcleo da SSP contribuiu para a prisão de aproximadamente 20 suspeitos monitorados por crimes cibernéticos. As operações realizadas têm sido eficazes na proteção e salvaguarda de mais de 200 vítimas potenciais.


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