Diário de São Paulo
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Denúncia contra ex-professor

MP denuncia ex-professor da USP por assédio sexual, estupro e importunação contra ex-alunos

Acusação aponta sete episódios envolvendo estudantes e integrantes de grupo de pesquisa ligado à Faculdade de Direito

A apuração interna da USP resultou na demissão de Mascaro, que ainda não foi formalmente comunicado sobre a denúncia - Imagem: Reprodução
A apuração interna da USP resultou na demissão de Mascaro, que ainda não foi formalmente comunicado sobre a denúncia - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 08/06/2026, às 13h18


O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-professor da Universidade de São Paulo (USP) Alysson Leandro Barbate Mascaro por crimes de assédio sexual, importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável. A acusação reúne relatos de ex-alunos e participantes de um grupo de estudos vinculado à Faculdade de Direito da instituição.

A denúncia foi protocolada na última semana e agora será analisada pela Justiça, que decidirá se aceita ou não a acusação. Caso isso ocorra, o ex-docente passará à condição de réu e responderá a uma ação penal.

Segundo o Ministério Público, os episódios investigados teriam ocorrido entre 2020 e 2024 e envolvem vítimas do sexo masculino. A promotoria sustenta que o ex-professor teria utilizado sua posição de destaque no ambiente acadêmico para se aproximar de estudantes interessados em orientação profissional, produção científica e oportunidades na carreira universitária.

De acordo com a denúncia, Mascaro mantinha com alguns alunos uma relação que descrevia como de “mestre e pupilo”, fazendo referências a filósofos da Grécia Antiga. O documento afirma que encontros inicialmente relacionados a pesquisas, orientação acadêmica e debates jurídicos evoluíam para situações de contato físico considerados inadequados pelas vítimas.

Em um dos casos relatados, a promotoria aponta que um estudante teria sido submetido a atos sexuais sem consentimento após aceitar um convite para se hospedar no apartamento do professor durante uma viagem a São Paulo. Segundo a acusação, a vítima permaneceu sem reação em razão do medo e da influência exercida pelo docente no meio acadêmico.

O Ministério Público também afirma que diversas vítimas demoraram a procurar as autoridades por receio de represálias profissionais e pelo temor de que seus relatos não fossem acreditados devido ao prestígio do investigado.

Além da abertura da ação penal, a promotoria solicitou medidas protetivas para uma das vítimas, incluindo a proibição de contato e aproximação por qualquer meio. Também foi pedido o pagamento de indenizações por danos morais, com valores que variam entre 30 e 60 salários mínimos, conforme cada caso.

A denúncia é resultado de investigações que começaram após estudantes e ex-alunos relatarem supostos episódios de assédio ocorridos ao longo de quase duas décadas. A apuração interna da USP culminou na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e, posteriormente, na demissão do professor, oficializada pela universidade em fevereiro deste ano.

Procurada sobre a denúncia, a defesa de Alysson Mascaro informou que não havia sido formalmente comunicada sobre o documento apresentado pelo Ministério Público.

O caso segue sob análise do Poder Judiciário.


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