Investigação apura pagamento de propina em acordos ambientais e tem origem em desdobramento de operação que apura fraudes ligadas ao PCC

Letícia Sales Publicado em 28/01/2026, às 09h51
Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) resultou no afastamento de servidores da Prefeitura e da Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana da capital. A ação investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários, com suspeita de pagamento de propina em negociações milionárias.
Foram afastados das funções públicas por 180 dias o vereador Ewerton de Lissa Souza (Podemos), o coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente, Moacyr Alves de Souza, o secretário de Administração, Adriano Dias Campos, e o secretário da Fazenda, Pedro Paulo Teixeira Júnior.
Mandados de busca e apreensão são cumpridos nas sedes do Executivo e do Legislativo municipal. A operação é um desdobramento da Operação Munditia, iniciada em 2024, que apura fraudes em licitações supostamente articuladas por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mais de 100 agentes participam da ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema). A Polícia Militar também atua no apoio à operação, com equipes do Policiamento Especializado de Operações (PEO) e da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).
Além do afastamento dos investigados, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores ligados às pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema. Em uma das residências, os agentes apreenderam R$ 105 mil em dinheiro.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram a existência de um novo conluio entre agentes públicos e empresários para a celebração de dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) no âmbito da prefeitura. De acordo com o apurado, a suspensão de certidões de dívida ativa relacionadas a infrações ambientais e a desistência de ações judiciais pelo município teriam sido motivadas pelo pagamento de propina.
Ainda conforme o MPSP, a dívida da empresa envolvida ultrapassava R$ 24 milhões. O pagamento ilícito teria ocorrido por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas, algumas delas de fachada, além de transferências bancárias.
Ao todo, a Justiça expediu 22 mandados de busca e apreensão, cumpridos também em Barueri e Guarulhos, na Grande São Paulo, e em Belo Horizonte, em Minas Gerais. As investigações continuam para apurar o cumprimento das obrigações ambientais previstas nos acordos e a responsabilidade dos envolvidos.
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