Após a queda de um elevador resultar em três mortes, o MTE interdita dez elevadores em um canteiro de obras na Zona Oeste

Gabriela Thier Publicado em 21/05/2025, às 18h08
Na última terça-feira (20), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de São Paulo determinou a interdição de dez elevadores em um canteiro de obras de um condomínio residencial localizado na Zona Oeste da capital paulista. A medida foi tomada após um trágico acidente ocorrido no dia anterior, quando três trabalhadores morreram devido à queda de um elevadorde carga.
A Superintendência Regional do Trabalho informou que a interdição se deu por conta da ausência de itens de segurança essenciais e pela falta de comprovação das avaliações dos componentes estruturais do equipamento. O MTE destacou a necessidade de melhorias na organização do local, visando a diminuição de riscos ocupacionais associados à desordem do canteiro de obras. As gruas presentes na obra também estão sob avaliação.
A BRZ Construtora, responsável pela construção, comunicou que isolou a área onde ocorreu o acidente e que pretende reiniciar as atividades na quarta-feira (21), desde que atenda às orientações de limpeza e reorganização solicitadas pelas autoridades. A construtora também ressaltou que as dez cremalheiras restantes permanecerão inativas até que sua integridade e funcionamento sejam garantidos. O equipamento que desabou passou por inspeções regulares nos dias 5 e 7 de maio, segundo informações fornecidas pela empresa.
O empreendimento está vinculado ao programa Pode Entrar, promovido pela Prefeitura de São Paulo, que garantiu que todos os alvarás necessários estavam em ordem. As operações devem ser retomadas gradualmente a partir da quinta-feira (22), com o retorno dos colaboradores dos empreiteiros envolvidos na construção.
Na segunda-feira, o elevador conhecido como "elevador de cremalheira" despencou do 17º andar. Este tipo de equipamento é utilizado para o transporte tanto de materiais quanto de pessoas em obras. Os três operários falecidos foram identificados como João Henrique da Silva Matos, 20 anos; Raimundo Conceição dos Santos Júnior, 26 anos; e Amarildo Alves da Conceição, 43 anos.
De acordo com a BRZ, os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), e as famílias optaram por realizar os funerais em suas cidades natais nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão. A construtora está organizando os detalhes junto à agência funerária responsável.
As ações fiscais do MTE visam garantir o cumprimento das normas trabalhistas e a proteção dos direitos dos trabalhadores. Guilherme Garnica, auditor fiscal chefe do setor de saúde e segurança do trabalho em São Paulo, mencionou que uma fiscalização desse tipo pode levar até sete meses, dependendo da complexidade dos documentos a serem analisados e das entrevistas necessárias com os trabalhadores.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) já iniciou uma investigação sobre o caso e aguarda os laudos das fiscalizações para definir suas próximas ações. A BRZ Construtora afirmou estar colaborando plenamente com as investigações.
A respeito das inspeções realizadas, um representante da Subprefeitura de Cotia esteve presente no canteiro para interditar a área afetada pelo acidente.
Em resposta ao ocorrido, o condomínio Reserva Raposo expressou seu pesar pela tragédia e afirmou estar atenta às providências necessárias, reiterando seu compromisso com a segurança e transparência nas operações.
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