Após denúncias, fiscais encontraram indígenas alojados em condições deploráveis, sem higiene e com alimentação restrita

Gabriela Thier Publicado em 21/03/2025, às 17h53
a última segunda-feira (17), uma operação conjunta envolvendo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Polícia Federal (PF) resultou no resgate de 35 indígenas da aldeia Amambai, localizada em Mato Grosso do Sul. O grupo estava sendo explorado em condições análogas à escravidão na cidade de Pedreira, interior de São Paulo, a mais de mil quilômetros de sua terra natal, onde atuavam na coleta de frangos em propriedades da região.
A ação foi desencadeada após denúncias feitas por outros indígenas que permaneceram no Mato Grosso do Sul. Ao chegarem ao local de trabalho dos indígenas, os fiscais encontraram uma situação alarmante: todos os 35 trabalhadores estavam alojados em um espaço precário, com apenas um banheiro e três quartos. O ambiente apresentava colchões espalhados em áreas inadequadas, como junto a paredes mofadas, em ambientes infestado de insetos e até mesmo na cozinha, próxima a um botijão de gás.
As condições de higiene eram deploráveis; os indígenas não dispunham de roupas de cama ou toalhas, e a casa onde se encontravam não possuía lavanderia. De acordo com relatos, eles usavam as mesmas vestimentas havia duas semanas e tinham acesso a uma alimentação extremamente restrita, consistindo basicamente de arroz.
O grupo foi contratado por uma empresa sediada em Mato Grosso do Sul para prestar serviços a um frigorífico paulista. Entretanto, não houve registro formal dos trabalhadores em suas carteiras, tampouco foram submetidos a exames admissionais ou receberam equipamentos de proteção individual (EPIs).
Após o resgate, foi firmado um termo de ajuste de conduta (TAC) entre as partes envolvidas, no qual o empregador se comprometeu a efetuar o pagamento das verbas trabalhistas pendentes e indenizações individuais por danos morais aos indígenas. A empresa que terceirizou os serviços também assumiu responsabilidade solidária pelo pagamento das dívidas trabalhistas.
O acordo estipulou ainda o transporte dos indígenas de volta para Mato Grosso do Sul, previsto para ocorrer no próximo sábado (22). Enquanto aguardam a viagem, a empresa se responsabilizou por fornecer alojamento e alimentação adequados; parte do grupo está hospedada em hotéis enquanto isso.
Além dos indígenas resgatados, a mesma empresa contratou 24 trabalhadores provenientes de cidades do nordeste do Brasil. Apesar da identificação de algumas irregularidades nesta contratação, esses trabalhadores encontravam-se em condições dignas de moradia e, em muitos casos, com registro formal em carteira de trabalho, não se enquadrando na definição de trabalho escravo.
Leia também

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Detran-SP registra quase 500 mil multas por atraso na transferência de veículos

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio

Hapvida amplia uso de energia renovável, avança em diversidade e consolida IA na assistência, mostra Relatório de Sustentabilidade

Caminhoneiros iniciam paralisação para pressionar Senado por votação da MP do Frete

Polícia investiga festa com fuzis que celebrou 19 anos do TCP no Complexo de Israel