Escola particular é investigada por tortura e maus-tratos

Nathalia Jesus Publicado em 27/06/2023, às 11h27
A mãe do menino que apareceu amarrado junto a uma viga de madeira, como foi possível ver em imagens vazadas da escola particular Pequiá, na zona sul de São Paulo, disse que o filho iniciou tratamento psicológico após o episódio.
Na última segunda-feira (26), a Justiça determinou a prisão temporária dos donos da escola pelo crime de tortura, e eles já são considerados foragidos pela polícia.
Em entrevista ao UOL, a dona de casa de 34 anos, que não teve o nome divulgado, falou sobre sua reação ao ver a foto do filho, que teria sido amarrado com as mangas do próprio uniforme por cerca de uma hora: "Senti dor, porque não pude estar por perto para protegê-lo".
A foto foi registrada em setembro de 2022 pela mesma professora que denunciou o caso à Polícia Civil. Mas, só foi encaminhada às autoridades no dia 15 deste mês com outras fotos e vídeos de maus-tratos. Foi quando a mãe declarou ter tido conhecimento sobre o episódio.
A mãe do menino disse ter sofrido um impacto maior ao ver a imagem original, já que nas primeiras fotos a criança, que tinha 6 anos na época, aparecia com o rosto desfocado. "Foi quando pude ver o semblante dele, enquanto estava amarrado daquele jeito, como se estivesse usando uma camisa de força."
Mesmo sem saber dos maus-tratos, a mãe do menino disse que ele passou a ter acompanhamento psicológico depois do ocorrido. Em uma outra escola desde o início do ano, ele passou a apresentar outro tipo de comportamento.
"Ele ficou agressivo com os coleguinhas e passou a desrespeitar os professores, como se esperasse ter algum tipo de punição. Eu paguei mensalidade em uma escola para que o meu filho fosse torturado. Ele passou por algo que vai ficar marcado para sempre na vida dele."
Inicialmente, o caso começou a ser investigado pela Polícia Civil como maus-tratos. Mas os registros em foto e vídeo das crianças e os depoimentos fizeram com que a investigação passasse a tratar os episódios ocorridos na escola como tortura, com pena de até 8 anos de prisão.
A defesa de Eduardo Kawano e Andrea Carvalho Alves Moreira, os donos da escola investigados pelo crime de tortura, nega as acusações e alega inocência.

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