Criminoso diagnosticado com psicose rompeu laços com o PCC após alegar que a organização se desviou de seus principios

William Oliveira Publicado em 19/08/2024, às 11h54
Entre os inúmeros criminosos mais perigosos do sistema prisional brasileiro, Marcos Paulo da Silva, conhecido pela alcunha de “Lúcifer”, se destaca como uma figura que inspira o medo mais genuíno entre os criminosos mais temidos da criminalidade brasileira.
O assassino ganhou o apelido após tatuar no corpo a frase “Lúcifer meu protetor”. Segundo algumas fontes ligadas à segurança pública, recentemente o criminoso “enlouqueceu” em uma prisão de São Paulo.
Lúcifer foi diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial e psicose, sendo o responsável por deixar um rastro de sangue com 50 assassinatos brutais, nos quais ele confessa a autoria com orgulho.
Marcos Paulo da Silva foi preso pela primeira vez em 1995, aos 18 anos, por furto e roubo, e logo após a prisão entrou para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Com 19 anos, Lúcifer havia se tornado um integrante ativo e participava de ações violentas dentro do sistema carcerário.
Em 2013, Lúcifer acabou rompendo sua ligação com o PCC, alegando que a organização havia se desviado completamente de seus princípios originais ao focar apenas no lucro e abandonar a suposta missão de proteção dos presos. Após esse rompimento, uma onda de terror teve início.
Segundo a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivana David, em decorrência da rivalidade, o criminoso passou a ver o PCC como um inimigo a ser exterminado.
Após a ruptura com a organização, Lúcifer foi o responsável por criar uma facção ainda mais temida: a Irmandade de Resgate do Bonde Cerol Fininho, um grupo dedicado a eliminar de forma brutal membros do PCC e de outras facções rivais.
O nome “Cerol Fininho” se refere à prática da utilização de linhas cortantes, misturadas com vidro e cola, para ferir seus adversários, sendo uma metáfora para as execuções extremamente violentas realizadas pelo grupo.
Entre os crimes mais conhecidos de Lúcifer está o massacre de cinco detentos na Penitenciária de Serra Azul, em 2011, onde, durante a execução, ele gritava que gostaria de matar ainda mais. Em outra ocasião, junto com seus comparsas, Lúcifer fez vários agentes penitenciários reféns e usou um estilete artesanal para decapitar suas vítimas.
Hoje, Lúcifer acumula 217 anos e três meses de prisão e continua sendo uma figura central no terror que permeia as prisões brasileiras. Como forma de conter sua brutalidade, o criminoso é transferido de unidade para unidade a fim de evitar uma onda de violência.
Ritual macabro
Em fevereiro de 2015, na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau, alguns guardas da penitenciaria localizaram os corpos mutilados de Cauê de Almeida e Francinilzo Araújo de Souza, com o abdômen completamente exposto, as vísceras arrancadas e com as cabeças decepadas.
O crime, assim como outros cometidos por Lúcifer e seus seguidores, se tornaram um cartão de visita da organização, onde após a execução um ritual era realizado, onde o assassino utilizava o sangue das vítimas para escrever “Cerol Fininho” nas celas.
Matador de aluguel
Apesar de ter rompido a ligação com o PCC, Lúcifer não perdeu o contato com a facção. No ano de 2017, durante a Operação Echelon, que deteve 75 líderes do PCC em 14 estados, foi revelado que a organização tentou contratar os serviços de Lúcifer para assassinar José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, chefe da Família do Norte (FDN), rival do PCC no tráfico de drogas em Manaus.
“Referente às ideias de tentar usar o Lúcifer para pegar o Zé Roberto FDN, é isso mesmo. Pedimos para vocês fazerem esse salve chegar na meta dele que, se ele fecha nessa situação, ele terá todo nosso apoio no que precisar e poderá voltar para nossa cadeia como companheiro. Ele tem nossa palavra, pois ele tava ajudando vingar a morte de vários irmãos”, dizia a mensagem.
Embora a tentativa de assassinato tenha falhado devido à intervenção das autoridades, a confiança do PCC em Lúcifer ilustra sua temida reputação.
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