Diário de São Paulo
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Justiça por Tainara

Justiça marca primeira audiência de acusado de matar mulher arrastada na Marginal Tietê

Ex-ficante de Tainara Santos responde por feminicídio e tentativa de homicídio; crime chocou o país pela brutalidade

A audiência será crucial para a fase de instrução do processo, onde testemunhas e o réu serão ouvidos pela Justiça - Imagem: Reprodução
A audiência será crucial para a fase de instrução do processo, onde testemunhas e o réu serão ouvidos pela Justiça - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 13/05/2026, às 13h33


A Justiça de São Paulo marcou para o dia 25 de maio a primeira audiência do processo que apura a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, na capital paulista, no ano passado. O caso ganhou repercussão nacional pela violência do crime e se tornou símbolo da luta contra o feminicídio no Brasil.

O acusado é Douglas Alves da Silva, de 26 anos, ex-ficante da vítima. Ele está preso preventivamente e responde por feminicídio e tentativa de homicídio contra um amigo de Tainara que também estava no local no momento do crime.

A audiência ocorrerá no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, e será destinada à fase de instrução do processo. Nessa etapa, a Justiça ouvirá testemunhas de acusação e defesa, além de interrogar o réu.

Ao final das sessões, o juiz poderá decidir se Douglas será levado a júri popular. Caso seja condenado, a pena pode chegar a 40 anos de prisão. Também existe a possibilidade de absolvição sumária ou solicitação de novas diligências investigativas.

O crime aconteceu em 29 de novembro. Imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas registraram o momento em que Douglas atropela Tainara e a arrasta pela Marginal Tietê antes de abandoná-la ferida próximo a um posto de combustíveis.

Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado por ciúmes. A investigação aponta que Douglas não aceitava o fim do breve relacionamento que teve com a vítima.

Após o atropelamento, o acusado fugiu sem prestar socorro. Ele foi preso no dia seguinte pela polícia.

Em depoimento, Douglas afirmou estar arrependido, mas alegou que o atropelamento teria sido acidental. Segundo sua versão, ele teria se envolvido em uma discussão com um amigo de Tainara e acelerado o veículo após ser atingido por uma garrafa.

O acusado também declarou que não percebeu que a vítima estava presa embaixo do carro.

Contudo, testemunhas e provas reunidas pela investigação contradizem essa versão. De acordo com a polícia, Douglas ignorou alertas de pedestres e motoristas enquanto arrastava Tainara pela via e agiu de forma intencional.

A vítima foi socorrida em estado gravíssimo e levada ao Hospital das Clínicas. Durante a internação, passou por diversas cirurgias, incluindo a amputação das duas pernas e procedimentos para conter infecções.

Após quase um mês internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Tainara morreu em 24 de dezembro, véspera de Natal. A certidão de óbito apontou septicemia, amputações e complicações traumáticas como causas da morte.

O enterro ocorreu sob forte comoção de familiares e amigos, que pediram justiça e denunciaram a violência contra mulheres. Cartazes e camisetas homenagearam a vítima durante o velório.

Tainara deixou dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7.


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