Decisão atende pedido da PF após habeas corpus do STJ e amplia cerco a esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Ana Beatriz Publicado em 24/04/2026, às 08h28
A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de investigados na Operação Narcofluxo, incluindo cantores e um influenciador digital, após a Polícia Federal apresentar novos elementos que indicam risco de continuidade das atividades criminosas.
As investigações revelam um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, utilizando empresas de fachada e a influência nas redes sociais para ocultar a origem dos recursos.
Com a nova decisão, 36 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em preventivas, enquanto a Polícia Federal continua a analisar materiais apreendidos, com a expectativa de novas fases da operação para aprofundar as investigações.
A Justiça Federal voltou a determinar a prisão de investigados na Operação Narcofluxo, incluindo os cantores MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, em um dos casos mais complexos envolvendo lavagem de dinheiro e influência digital no país.
A decisão foi tomada pela 5ª Vara Federal em Santos, no litoral de São Paulo, após novo pedido da Polícia Federal, poucas horas depois de o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos investigados e apontar irregularidades na prisão temporária anterior.
Segundo a PF, a conversão para prisão preventiva foi necessária diante do risco de continuidade das atividades criminosas, possibilidade de destruição de provas digitais e tentativa de ocultação de patrimônio.

Esquema bilionário e influência social
As investigações apontam que o grupo estaria envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, utilizando empresas de fachada, movimentações financeiras complexas e influência nas redes sociais.
A operação, que é desdobramento de outras ações como Narco Bet e Narco Vela, teria identificado uma estrutura organizada com divisão de funções, incluindo operadores financeiros, gestores e beneficiários finais.
Entre os principais pontos levantados pela investigação estão:
Reviravolta judicial em menos de 24 horas
O caso ganhou ainda mais repercussão pela rapidez da mudança judicial.
Inicialmente, o STJ havia determinado a soltura dos investigados ao considerar ilegal o prazo de prisão temporária, que ultrapassou o período solicitado pela própria Polícia Federal.
No entanto, horas depois, a PF apresentou novos elementos e pediu a prisão preventiva, que não tem prazo definido e pode se estender durante toda a investigação.
A Justiça aceitou o argumento de que a liberdade dos investigados poderia comprometer a apuração, especialmente no que diz respeito a provas digitais e movimentações financeiras ainda em análise.
Lista de investigados com prisão preventiva
Com a decisão judicial, 36 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em prisões preventivas e 3 em prisões domiciliares. São eles:
Histórico dos envolvido
O caso também reacende o histórico recente de investigações envolvendo alguns dos nomes citados.
MC Poze do Rodo já havia sido alvo de operações anteriores relacionadas a rifas ilegais e investigações por associação criminosa, enquanto MC Ryan SP foi preso temporariamente em abril de 2026 no contexto da própria operação Narcofluxo.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal segue analisando materiais apreendidos, especialmente dados armazenados em nuvem, que podem revelar a extensão real do esquema e a participação de outros envolvidos.
A expectativa é de que novas fases da operação sejam deflagradas, ampliando o alcance das investigações e aprofundando a apuração sobre a origem e destino dos recursos.
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