Medida atende pedido do Itaú e envolve cobrança de cerca de R$ 1,9 milhão contra João Appolinário

Lívia Gennari Publicado em 26/01/2026, às 13h51
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio e a apreensão do passaporte do empresário João Appolinário, fundador e presidente da Polishop, pelo prazo de dois anos. A ordem foi expedida a pedido do banco Itaú, que busca receber uma dívida estimada em R$ 1,9 milhão e argumentou que todas as tentativas tradicionais de cobrança foram frustradas.
A decisão é do juiz Douglas Ravacci, que acolheu o pedido do banco após constatar a ausência de pagamento mesmo diante de medidas como tentativas de penhora. Segundo o processo, a Polishop contratou, em 2020, um empréstimo de R$ 5 milhões, a ser quitado em 42 parcelas mensais, com vencimento final previsto para dezembro de 2024. Os pagamentos, no entanto, teriam sido interrompidos em abril do ano passado.
João Appolinário teria assinado o contrato como devedor solidário, o que o torna pessoalmente responsável pela obrigação financeira. Diante da inadimplência, o Itaú sustentou que o bloqueio do passaporte seria um meio legítimo de pressionar o cumprimento da dívida, afirmando nos autos que não houve a quitação de qualquer valor desde a suspensão dos pagamentos.
Ao autorizar a medida, o magistrado destacou que a apreensão do documento é proporcional e pode ser revista caso os devedores colaborem com a execução ou apresentem bens suficientes para garantir o débito. A ordem também alcança outro sócio da empresa. Cabe recurso.
Imóveis penhorados
No mesmo dia, outra decisão judicial ampliou o alcance das cobranças contra o empresário. Em despacho assinado pelo juiz Renan Jacó Mota, a Justiça autorizou a penhora de dois imóveis residenciais de Appolinário localizados no Jardim Paulista, bairro nobre da capital paulista. A medida atende a uma ação movida pela Versuni Brasil Ltda., que cobra cerca de R$ 24,9 milhões.
A Justiça também considerou o histórico de inadimplência e a separação jurídica entre a empresa e seu controlador, o que permite que o patrimônio pessoal seja alcançado em determinadas circunstâncias. Assim como no caso do passaporte, Appolinário pode recorrer da penhora.
Essas decisões se somam a outros episódios recentes. Em agosto de 2024, três imóveis do empresário já haviam sido penhorados em um processo relacionado a débitos de aluguel com o Shopping Mooca, na zona leste da capital, após o fechamento de uma loja da rede.
Fundada no fim dos anos 1990, a Polishop se consolidou como uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro ao apostar em vendas por televisão, catálogos e, posteriormente, plataformas digitais. Com forte investimento em marketing direto e lojas próprias, a empresa ganhou escala nacional.
Nos últimos anos, porém, o aumento da concorrência no comércio eletrônico, mudanças no comportamento do consumidor e custos operacionais elevados pressionaram as finanças da companhia, levando ao pedido de recuperação judicial. O avanço das ações contra o patrimônio pessoal do fundador sinaliza um movimento mais rigoroso de credores e do Judiciário na cobrança de garantias assumidas fora da estrutura empresarial.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada

Grupo quer Flávio longe de Lucas Bove; deputado é réu e defende "corrupto cristão"

São Paulo tem queda de casos graves ligados à influenza

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio