Diário de São Paulo
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SUSPENSÃO

Jornalista que perdeu filha em acidente da Voepass comenta suspensão: "Fim do túnel"

A decisão da ANAC surge após a tragédia que vitimou 62 pessoas, incluindo a pequena Liz, filha da jornalista Adriana Ibba

Tragédia vitimou 62 pessoas - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal
Tragédia vitimou 62 pessoas - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 12/03/2025, às 09h01


Sete meses após a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) anunciou a suspensão cautelar das operações da companhia aérea. A tragédia, que vitimou 62 pessoas, incluindo Liz, de apenas 3 anos e 9 meses, filha da jornalista Adriana Ibba, gerou imensa dor.

Em uma declaração emocionada, Adriana refletiu sobre a dor da perda. "Quando um marido perde uma esposa, quando uma esposa perde um marido, tem a nomenclatura do viúvo, da viúva. Mas uma mãe, quando perde um filho, não tem no dicionário. Não é passível de nomeação", lamentou. Liz estava retornando para casa após celebrar o Dia dos Pais em Florianópolis quando o acidente aconteceu.

A decisão da ANAC de suspender as atividades da Voepass foi motivada pela incapacidade da empresa de corrigir irregularidades identificadas em inspeções regulares. A agência também apontou a violação de condições pré-estabelecidas para garantir a continuidade das operações dentro dos padrões de segurança exigidos.

Adriana recebeu a notícia com sentimentos mistos. "Foi uma angústia, uma certa raiva, de algo que poderia ter sido feito lá atrás e não foi feito, e uma paz. Senti uma certa luz no fim do túnel", afirmou. Ela ressaltou a necessidade urgente de entender o que aconteceu no voo, considerando-o o último momento da vida de sua filha.

A jornalista acredita que a decisão da ANAC é um passo inicial na busca por justiça e respostas. "Eu preciso saber o que aconteceu naquele avião", disse, lembrando que indícios de irregularidades foram confirmados por meio de um cruzamento de dados entre o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e inquéritos conduzidos pela Polícia Federal.

A Voepass se manifestou afirmando que a suspensão afetaria negativamente milhares de brasileiros. Adriana contestou essa afirmação: "Qualquer prejuízo é irrisório comparado à dor imensurável que causaram às famílias afetadas. Isso é inaceitável", disse.

Em seu relato, ela recordou momentos difíceis após a tragédia, como a espera pela liberação do corpo de Liz em São Paulo. Durante uma reunião com representantes da Voepass, ela relembrou que o presidente da empresa mencionou os sonhos de seu filho em ser piloto, enquanto ela segurava a boneca de Liz.

No último domingo (9), sete meses após o acidente, a Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283 organizou uma homenagem no Lago Municipal de Cascavel (PR). Inicialmente relutante devido à carga emocional do local, onde costumava levar Liz para brincar, Adriana se juntou a mais de 200 pessoas no evento.

Na hora exata da queda do avião, os participantes soltaram balões brancos biodegradáveis com sementes.

"Ao soltar os balões, me emocionei muito, porque Liz adorava balões", compartilhou. Em uma lembrança recente, ela comentou sobre um dia no shopping em que Liz pediu um balão: "Eu fiquei olhando essa foto hoje e pensei: ‘Que bom que eu dei mais de um balão. Se eu soubesse que ela iria viver tão pouco… Que bom que eu fiz todas as vontades da Liz. E ela foi muito amada, muito. Ela foi muito zelada, muito cuidada", afirmou Adriana em entrevista ao Metrópoles.

Por fim, Adriana refletiu sobre o trauma incomensurável vivido pelos familiares das vítimas: "É um trauma muito grande: você leva pra viajar e, de repente, você não volta nem com o corpo. Você não pode escolher um último vestido".


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