Proposta previa bônus para uso de decote e roupas justas; caso foi registrado como importunação sexual e é investigado pelo MPT.

Ana Beatriz Publicado em 15/04/2026, às 08h39
Uma adolescente de 17 anos denunciou uma hamburgueria em Ribeirão Preto por uma proposta de emprego que incluía exigências de cunho sexual, resultando em uma investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Trabalho.
A proposta oferecia um salário de R$ 1.300, com um adicional de R$ 400 para a funcionária que usasse roupas mais justas, o que gerou constrangimento e motivou a denúncia da jovem.
Após a repercussão do caso, a hamburgueria foi fechada, e o proprietário lamentou a situação, mas não apresentou justificativas legais para a proposta; o caso continua sob investigação.
Uma adolescente de 17 anos denunciou uma hamburgueria de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, após receber uma proposta de emprego com exigências consideradas abusivas e de cunho sexual. O caso foi registrado na Polícia Civil como importunação sexual e também passou a ser investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo prints da conversa entre a jovem e o estabelecimento, a vaga oferecia salário inicial de R$ 1.300. No entanto, o empregador propôs um adicional de R$ 400 caso a funcionária utilizasse roupas mais justas, como “decote” ou “calça legging mais marcando”, com a justificativa de atrair mais clientes para o local.

A jovem relatou, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, que ficou abalada com a situação. De acordo com o depoimento, a abordagem gerou constrangimento e sensação de desrespeito, o que motivou a denúncia às autoridades.
O registro foi feito como importunação sexual, crime previsto no Código Penal brasileiro. A tipificação ocorre quando há prática de ato de natureza sexual sem consentimento, com o objetivo de satisfazer interesse próprio ou de terceiros.
Na esfera trabalhista, o caso também levanta suspeitas de assédio e violação de direitos fundamentais, especialmente por envolver uma menor de idade. O Ministério Público do Trabalho investiga possíveis irregularidades na conduta do estabelecimento.
Após a repercussão, a hamburgueria foi fechada. Não há confirmação oficial sobre a continuidade ou encerramento definitivo das atividades.
Outro lado
O proprietário afirmou que lamenta o ocorrido e disse que a abordagem utilizada teria sido inspirada em práticas adotadas por outros estabelecimentos. Ele não apresentou justificativas legais para a proposta feita à adolescente.
Especialistas apontam que condicionar remuneração à exposição do corpo configura prática abusiva e pode resultar em sanções civis e criminais. Em casos envolvendo menores, a responsabilização tende a ser ainda mais rigorosa. O caso segue em investigação.
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