Juan Darthés foi condenado a seis anos de prisão pelo estupro de atriz quando ela tinha 16 anos

Sabrina Oliveira Publicado em 11/06/2024, às 12h12
Em um desfecho marcante para a luta contra a violência sexual, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) de São Paulo condenou o ator argentino-brasileiro Juan Rafael Pacífico Dabul, mais conhecido como Juan Darthés, a seis anos de prisão pelo estupro da atriz Thelma Fardin. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (10/6), ainda pode ser contestada, e Darthés permanece em liberdade enquanto recorre.
A condenação encerra um capítulo doloroso que começou em 2018, quando Thelma Fardin denunciou o abuso que sofreu em 2009, durante as gravações da série infantil "Patito Feo". Na época, Fardin tinha 16 anos, enquanto Darthés, 44. A denúncia veio à tona no contexto do movimento #MeToo, que ganhava força na Argentina.
Detalhes do caso
Fardin revelou que o abuso ocorreu durante uma turnê de "Patito Feo" na Nicarágua. Em 2019, a Justiça nicaraguense condenou Darthés, emitindo um mandado de prisão através da Interpol. No entanto, o ator fugiu para o Brasil, onde possui cidadania dupla. Em abril de 2021, o Ministério Público Federal de São Paulo apresentou uma denúncia contra ele, iniciando um processo na Justiça Federal brasileira.
O julgamento, que começou em 2023, incluiu o depoimento virtual de Thelma Fardin. Inicialmente, a 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo absolveu Darthés, argumentando que o abuso não configurava "conjunção carnal" de acordo com a legislação de 2009. Embora tenha sido comprovado que Darthés realizou sexo oral e penetração digital sem consentimento, o tribunal considerou que o caso deveria ser tratado pela justiça estadual.
A defesa de Thelma Fardin recorreu, levando a um novo julgamento. Nesta segunda-feira (10), a condenação foi finalmente confirmada, apesar de ainda caber recurso. A defesa de Darthés tem utilizado estratégias para prolongar o julgamento, esperando que o crime prescreva em 2029.
Após a condenação, Thelma Fardin expressou gratidão em suas redes sociais, destacando a importância da decisão para todas as vítimas de violência sexual. "Nunca busquei vingança, mas quis justiça e reparação à menina que fui", escreveu. Fardin enfatizou que a condenação de Darthés envia uma mensagem de esperança para todos que sofreram abusos, mostrando que a justiça pode prevalecer, independentemente do poder do agressor.
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