Diário de São Paulo
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Tribunal do Satanás

Fofoca sobre execução interna revela crueldade do PCC em SP

Em Taquaritinga, no interior paulista, tribunal do crime age sem piedade contra seus próprios integrantes; lideranças do PCC são apontadas como mandantes

Fofoca sobre execução interna revela crueldade do PCC em SP - Imagem: Reprodução | YouTube
Fofoca sobre execução interna revela crueldade do PCC em SP - Imagem: Reprodução | YouTube

por Marina Milani

Publicado em 10/11/2024, às 10h27


Em uma conversa que parecia inofensiva, Luís Carlos Inácio, conhecido como Jordi, compartilhou com uma conhecida detalhes sobre um homicídio supostamente autorizado pelo “tribunal do crime” do PCC. Menos de 24 horas depois, o comentário selaria o destino de Jordi. Ele, apontado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi executado por membros da própria facção, acusado de “falar demais”. Seu corpo foi abandonado em uma rua de Taquaritinga, cidade que serve de sede para julgamentos internos comandados por Alexsandro Cardoso Mota, o “Satanás”, chefe da facção na região. 

Taquaritinga é conhecida por ser destino de réus do PCC, julgados sob o comando de Satanás, apontado como o líder que há mais de uma década decide sentenças de morte com brutalidade. A morte de Jordi teria sido encomendada por José Adilson dos Santos, o “Charutinho,” que desrespeitou as regras ao ordenar a execução sem a aprovação de Satanás, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A denúncia reveladora

A Polícia Civil interceptou uma troca de mensagens no WhatsApp entre uma mulher e seu namorado, conhecido como “disciplina” — um executor das regras da facção — que também trabalha para Satanás. Nessa conversa, a mulher comenta que a mãe teria rompido o relacionamento com o companheiro ao saber que ele estava envolvido na morte de Douglas Pereira de Sobral, conhecido como Dodô, outra vítima dos “tribunais” da facção.

O corpo de Dodô foi encontrado em um cemitério clandestino, em 3 de janeiro, e, segundo as investigações, ele teria sido morto por supostamente tentar assassinar um disciplina do PCC. A execução de Dodô trouxe à tona detalhes das operações do grupo liderado por Satanás e revelou o envolvimento de diversos membros em uma série de assassinatos. Até o momento, a polícia atribui oficialmente ao menos dez mortes à atuação de Satanás e sua equipe.

A Sintonia dos 14
Satanás, segundo uma reportage do Metrópoles, é parte da "Sintonia dos 14", um núcleo dentro do PCC composto por líderes regionais que coordenam ações em 14 áreas da capital e do interior. As decisões são tomadas por videoconferência, telefone e, ocasionalmente, em reuniões presenciais. De acordo com a Polícia Militar, essa rede tem operado com violência extrema, silenciando qualquer voz que ameace ou infrinja as rígidas normas do PCC.

A prisão preventiva de Satanás foi decretada, mas ele permanece foragido, assim como outros comparsas que atuam em sua rede de terror. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), as investigações seguem, enquanto a polícia e o Ministério Público tentam desmantelar o núcleo responsável pelas execuções brutais que aterrorizam o interior paulista.


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