Delação revela que José Aprigio pagou R$ 85 mil por fuzil e prometeu R$ 500 mil a atiradores para encenar ataque

por Marina Milani
Publicado em 18/02/2025, às 09h01
O plano do ex-prefeito de Taboão da Serra, José Aprigio (Podemos), para sensibilizar eleitores e garantir sua reeleição tomou um rumo inesperado. Segundo uma delatação premiada homologada pela Justiça, ele teria encomendado um falso atentado contra si próprio, mas a encenação saiu do controle, e ele acabou realmente baleado no ombro.
As investigações apontam que Aprigio desembolsou R$ 85 mil para comprar o fuzil usado no suposto ataque e acertou um pagamento de R$ 500 mil para cinco atiradores e comparsas. O esquema foi revelado por um dos três presos no caso, que decidiu colaborar com o Ministério Público (MP). Além do ex-prefeito, ao menos nove pessoas são investigadas por associação criminosa e tentativa de homicídio.
O suposto atentado aconteceu em 18 de outubro de 2024. A ideia era que os tiros acertassem apenas o carro blindado de Aprigio, criando comoção na opinião pública. No entanto, os envolvidos subestimaram a potência do fuzil. Um dos disparos atravessou a blindagem e atingiu o ombro esquerdo do então prefeito.
Segundo o delator, Aprigio e sua equipe acreditavam que o vidro do veículo resistiria aos disparos. "Foi o próprio prefeito quem pediu para atirar no vidro", disse o colaborador. O ataque foi gravado por aliados e amplamente divulgado nas redes sociais do político.
Seis tiros perfuraram a lataria e os vidros do carro. O motorista, um secretário e um fotógrafo também estavam no veículo, mas não se feriram.
A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público resultou na "Operação Fato Oculto", que prendeu alguns dos suspeitos nesta segunda-feira (17). O objetivo era desmantelar a farsa que tentou manipular a eleição municipal.
Apesar da tentativa de Aprigio de capitalizar politicamente o suposto atentado, ele perdeu a disputa para Engenheiro Daniel (União Brasil). O plano, que deveria garantir a reeleição, se tornou um escândalo e colocou o ex-prefeito no centro de uma investigação por fraude e tentativa de homicídio.
"O conjunto probatório mostra que não houve tentativa de homicídio, mas sim uma encenação para manipular o eleitorado", conclui o relatório policial.
O caso segue em investigação, e José Aprigio e os demais suspeitos podem responder criminalmente pelos crimes apontados.
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