Entregadores de aplicativos como iFood e Uber Flash protestam por melhores condições de trabalho e remuneração justa; mobilização acontece em São Paulo e outras cidades

William Oliveira Publicado em 31/03/2025, às 12h57
Na manhã desta segunda-feira (31), entregadores de aplicativos como Uber Flash, iFood e Rappi iniciaram uma paralisação nacional para reivindicar melhor remuneração pelos serviços prestados. O movimento, denominado "breque dos apps", busca melhorias nas condições de trabalho desses profissionais.
Entre as principais demandas estão o aumento da tarifa mínima de entrega para R$ 10 e o reajuste do valor pago por quilômetro rodado para R$ 2,50. Além disso, os entregadores exigem a limitação da distância máxima de três quilômetros para quem utiliza bicicleta e o fim das rotas duplas, que permitem múltiplas entregas em um único trajeto.
A mobilização está programada para esta segunda e terça-feira (1º). Em São Paulo, um ato está marcado para as 9h, com saída da Praça Charles Miller, no Pacaembu, em direção à sede do iFood em Osasco, na região metropolitana.
Diego Araújo, uma das principais vozes do movimento, destaca que a ação visa garantir direitos fundamentais aos trabalhadores explorados pelas plataformas digitais. "Estamos lutando por dignidade no trabalho", afirma.
Os organizadores esperam que essa paralisação seja "a maior da história", superando o movimento de 2020, ocorrido durante a pandemia da Covid-19, quando a precarização do trabalho dos entregadores ganhou grande visibilidade.
A regulamentação da atividade também esteve em debate durante a campanha eleitoral de 2022, especialmente entre lideranças de esquerda que defendem leis mais rígidas para o setor.
No mês passado, o governo federal apresentou um Projeto de Lei (PL) para regular o transporte por meio de aplicativos, mas excluiu as empresas de entrega do texto.
Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa iFood, Uber e 99, afirmou respeitar o direito à manifestação e reforçou que mantém canais de diálogo abertos com os entregadores. A associação também expressou apoio à regulamentação do setor, enfatizando a necessidade de equilíbrio entre a proteção social dos trabalhadores e a viabilidade econômica dos serviços.
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