Equipes dizem improvisar para restabelecer energia enquanto parte da população permanece dias sem atendimento

Gabriela Nogueira Publicado em 12/12/2025, às 18h13
A crise de energia que atinge diversas cidades da Grande São Paulo desde a passagem de um ciclone nesta quarta-feira (10), trouxe à tona denúncias de funcionários da Enel sobre condições de trabalho consideradas precárias. Segundo os trabalhadores, a empresa enfrenta a demanda crescente com equipes reduzidas, falhas de abastecimento de materiais e riscos acentuados nas operações de rua.
Eles relatam que a falta de equipamentos básicos de segurança se tornou frequente, obrigando eletricistas a improvisar em tarefas que já são, por natureza, de alto risco.
“Saímos sem tudo o que deveria estar disponível para um serviço desses. Às vezes precisamos improvisar para religar a energia”, afirma um dos profissionais.
Apesar do aumento expressivo no número de ocorrências, os trabalhadores dizem que não houve reforço suficiente nas equipes. O cenário, segundo eles, tem gerado atrasos no restabelecimento da energia e uma percepção de atendimento desigual entre regiões. Afirmam que áreas de maior renda recebem prioridade, enquanto comunidades ficam dias sem previsão de solução.
“Tem lugar que passa cinco ou até sete dias no escuro. A prioridade é atender os bairros nobres”, relata outro funcionário.
A insatisfação também é alimentada pela diferença salarial entre novos contratados e trabalhadores antigos. Profissionais recém-admitidos estariam recebendo valores superiores aos dos veteranos, o que gerou revolta interna e uma paralisação silenciosa. De acordo com os relatos, a movimentação teria resultado em advertências e ameaças de punição. “Falaram que poderia ter demissão por justa causa”, diz um eletricista.
A rotina de trabalho durante a crise também é descrita como exaustiva. Os funcionários afirmam cumprir jornadas que chegam a 16 horas por dia, atuando sob chuva, vento e calor intenso. Uma cláusula interna de sigilo, segundo eles, desestimula denúncias públicas por medo de represálias.
“Temos trabalhado das seis da manhã até quase dez da noite. Mas não podemos comentar nada”.
Mesmo em meio à pressão e aos riscos, os trabalhadores dizem que seguem empenhados em restabelecer o fornecimento de energia. O pedido, afirmam, é simples: melhores condições e segurança.
“Fazemos o possível nas ruas. Só queremos trabalhar com o básico que precisamos e ser valorizados.”
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