Com a queda no Ideb e baixa taxa de alfabetização, Padula propõe monitoramento e mudanças no ciclo de alfabetização para reverter a situação

por Marina Milani
Publicado em 31/01/2025, às 10h46
O secretário municipal da Educação, Fernando Padula, reafirmou seu compromisso com a autonomia da pasta, que segundo ele, está blindada de pressões políticas externas. Em declarações recentes ao portal Metrópoles, Padula assegurou que não haverá influência de grupos políticos na estrutura da secretaria, enfatizando a escolha pessoal feita pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) ao mantê-lo no cargo.
Padula declarou: "Com a escolha do prefeito, a secretaria funciona como uma porteira fechada, onde tenho liberdade técnica para decidir. Se houvesse a intenção de composições políticas, outro secretário estaria no lugar". Ele se manifestou em resposta às pressões vindas do bolsonarismo após a reeleição de Nunes.
Recentemente, a ex-secretária de Educação de Curitiba, Maria Silvia Bacila, foi nomeada como secretária executiva pedagógica da pasta. Padula expressou gratidão pela confiança depositada por Nunes em mantê-lo no cargo desde a transição após o falecimento do ex-prefeito Bruno Covas, seu amigo de longa data.
Sobre as mudanças políticas na Câmara Municipal, que se esperam conservadoras em temas relacionados à educação e cultura, Padula disse que seu foco é na aprendizagem dos alunos e que não se envolverá em discussões consideradas secundárias. "Estou aberto ao diálogo com todos os setores ideológicos, mas meu único compromisso é com a educação dos estudantes", afirmou.
Apesar de sua permanência no cargo, o secretário enfrenta pressão para melhorar os índices educacionais da capital. Durante sua gestão anterior, os resultados foram considerados insatisfatórios. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da rede municipal caiu para 5,6 nos anos iniciais do ensino fundamental em 2023, um declínio em relação aos anos anteriores.
Além disso, o Indicador Criança Alfabetizada revelou que apenas 37,8% dos alunos estão alfabetizados na idade adequada. Isso posiciona São Paulo na 21ª colocação entre as capitais brasileiras neste quesito. Ao ser questionado sobre as causas dessa queda nos índices, Padula destacou fatores positivos da rede e sugeriu que parte dos resultados ruins poderia ser atribuída à resistência de alguns professores em relação às avaliações padrão.
Ele destacou: "A rede tem melhorado condições salariais e oferecido recursos adequados. Não é aceitável que São Paulo apresente esses resultados; devemos estar muito melhor". O secretário pediu aos educadores que priorizem os alunos acima das questões ideológicas e partidárias.
Entre as iniciativas propostas para reverter o cenário atual está o aumento do monitoramento das escolas e um reforço escolar mais eficaz. Padula também planeja implementar mudanças no ciclo de alfabetização para que as crianças aprendam a ler e escrever em dois anos ao invés de três.
A gestão da educação também contempla uma nova abordagem sobre a distribuição de professores nas escolas e prevê ações voltadas para escolas com mais alunos em vulnerabilidade social.
Padula comentou sobre a possível implementação do modelo cívico-militar nas escolas municipais, afirmando que não é uma prioridade no momento. A consulta à comunidade escolar será essencial antes de qualquer decisão nesse sentido.
No tocante à privatização da educação, ele informou que o projeto para transferir a gestão pedagógica de algumas escolas para instituições sem fins lucrativos está sendo estudado cuidadosamente. Ele enfatizou que parcerias seriam feitas apenas com instituições comprometidas com a qualidade educacional.
Uma das mudanças significativas para o novo ano letivo inclui a proibição do uso de celulares nas salas de aula, conforme previsto em leis federais e estaduais. As diretrizes estão sendo discutidas pelo Conselho Municipal de Educação.
A Prefeitura também continua com o processo de municipalização de escolas estaduais, argumentando que essa integração entre ensino infantil e fundamental pode trazer benefícios pedagógicos significativos.
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