Eventos climáticos adversos, como furacões, frio extremo e secas, agravaram a crise alimentar, exacerbando a insegurança alimentar

Alanis Ribeiro Publicado em 24/11/2024, às 19h45
Em um cenário global de desafios socioeconômicos, a fome continua a ser uma questão urgente em diversas nações. Nos Estados Unidos, o presidente eleito Donald Trump enfrentará a difícil tarefa de lidar com a insegurança alimentar que afeta 47,7 milhões de cidadãos. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontaram que, em 2023, 14% da população norte-americana vivia nessa condição, o que representa o maior índice registrado na última década.
O Brasil registrou avanços significativos no combate à fome, com uma redução de quase 75% no número de pessoas em situação de fome severa entre 2022 e 2023, passando de 33,1 milhões para 8,7 milhões, o que representa 4% da população. Em comparação, a proporção de pessoas afetadas pela fome nos Estados Unidos é três vezes maior, apesar da população norte-americana ser apenas 62% maior que a do Brasil, destacando as diferenças nas políticas públicas de cada país.
A recuperação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Brasil, com a reativação do órgão no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após sua desativação no governo anterior, é apontada como um fator crucial para os avanços registrados. Renato Prado, presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Santos (Comsea), destaca que as políticas públicas brasileiras são exemplos de sucesso mundial, especialmente com a implementação de ações estruturantes ao longo de 2023.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) revela que a insegurança alimentar no Brasil caiu de 15,5% para 4,1% entre 2022 e 2023, um feito notável considerando os desafios climáticos enfrentados pelo país nesse período. Nos Estados Unidos, eventos climáticos adversos, como furacões, frio extremo e secas, agravaram a crise alimentar, exacerbando a insegurança alimentar.
O programa Bolsa Família desempenha papel fundamental na estratégia brasileira contra a fome. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revelou um crescimento real de 12,5% na renda domiciliar per capita em 2023, parte da qual foi destinada à alimentação.
Estudos anteriores demonstram que cada real investido no programa tem um impacto significativo no PIB nacional. Durante o governo Bolsonaro, houve esforços para aumentar o número de beneficiários e os valores pagos pelo Bolsa Família, mas, mesmo assim, cenas dramáticas, como filas em açougues, persistiram até o fim do mandato.
Em termos de emprego, enquanto o Brasil reduziu o desemprego para cerca de 6%, os Estados Unidos mantiveram uma taxa de 4,1%, com ambos os países implementando programas governamentais de transferência de renda, como o EBT nos EUA.
Em resumo, embora os desafios alimentares persistam tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, as abordagens distintas refletem realidades socioeconômicas e políticas complexas, que exigem atenção contínua para garantir uma segurança alimentar sustentável e equitativa.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

Exame do IML não detecta lesões em menina de 4 anos; polícia segue com investigação em caso de clube social

Caiado promete pacote de reformas no primeiro dia de governo e inclui mudanças no STF

Thiago Brennand vai se casar com advogada que atua em sua defesa criminal

Justiça bloqueia veículos de empresa de Ana Hickmann em ação por cheques sem fundo

PF investiga suposta fraude financeira no Banco Digimais, ligado a Edir Macedo