Diário de São Paulo
Siga-nos
INVESTIGAÇÃO

Delação premiada: delator do PCC havia denunciado policiais de 4 delegacias em acordo de R$ 15 mil

Vinícius Gritzbach foi assassinado na última sexta-feira (8) por delatar o envolvimento de policiais em lavagem de dinheiro, além de integrantes do PCC

Delação premiada: delator do PCC havia denunciado policiais de 4 delegacias em acordo de R$ 15 mil - Imagem: Reprodução / X / @fernaolmesquita
Delação premiada: delator do PCC havia denunciado policiais de 4 delegacias em acordo de R$ 15 mil - Imagem: Reprodução / X / @fernaolmesquita

William Oliveira Publicado em 12/11/2024, às 08h00


Na última sexta-feira (8), o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi palco de um trágico episódio que resultou na morte do empresário Vinícius Gritzbach, de 38 anos, vítima de disparos de fuzil. Gritzbach havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), no qual relatou esquemas de corrupção envolvendo policiais civis e operações de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O empresário, que prestava informações confidenciais às autoridades, mencionou nomes de delegados e policiais supostamente envolvidos em atividades ilícitas. No entanto, a identidade dos mandantes e executores do homicídio ainda é objeto de investigação pela Polícia Civil, MPSP e Polícia Federal.

O acordo, estabelecido em março deste ano com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e homologado em abril, previa que Gritzbach pagasse uma multa substancial em troca do perdão judicial por envolvimento com organização criminosa e outras concessões legais. O empresário forneceu detalhes sobre transações financeiras relacionadas a membros proeminentes do PCC, como Anselmo Santa Fausta e Cláudio Marcos de Almeida.

Recentemente, trechos da delação foram compartilhados com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o que levou à instauração de um procedimento investigativo na Corregedoria da Polícia Civil. O próprio Gritzbach foi ouvido poucos dias antes do atentado que resultou em sua morte e na do motorista Celso Araújo Sampaio de Novais.

No momento do ataque, quatro policiais militares estavam encarregados da segurança do empresário. Todos foram afastados de suas funções enquanto se apura o possível envolvimento deles no crime.

Relatos iniciais indicam que os policiais pararam em um posto para um lanche pouco antes dos disparos. Problemas mecânicos com uma das viaturas também foram reportados.


últimas notícias