Parlamentares eram alvo de representações envolvendo denúncias de violência psicológica e violência política de gênero

Letícia Sales Publicado em 13/05/2026, às 14h05
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo decidiu, nesta quarta-feira (13), arquivar dois pedidos de punição contra os deputados estaduais Guto Zacarias e Lucas Bove. Com a decisão do colegiado, os processos não terão continuidade dentro da Casa.
No caso de Guto Zacarias, o pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar havia sido apresentado pela deputada Paula da Bancada Feminista, do PSol, com base em denúncia do Ministério Público de São Paulo envolvendo acusações de violência psicológica, ameaça e suposta coação para aborto contra a ex-companheira do parlamentar, Giovanna Pereira.
Segundo o Ministério Público, os episódios teriam ocorrido entre 2024 e o início de 2025, após o término do relacionamento e depois de Giovanna informar ao deputado que estava grávida.
De acordo com a promotoria, o parlamentar teria intensificado contatos por mensagens e áudios tentando influenciar a decisão da ex-companheira sobre a gestação.
Um dos áudios atribuídos ao deputado foi citado durante o processo. Nele, Guto afirma: “Não consigo entender nenhum motivo para não fazer”.
Apesar das acusações, o Conselho de Ética rejeitou a abertura do processo disciplinar por 4 votos a 2. Votaram contra a instauração Bruno Zambelli (PL), Oseias de Madureira (PSD), Rafael Saraiva (União Brasil) e Eduardo Nóbrega (Podemos). Já Enio Tatto (PT) e Ediane Maria (PSol) defenderam a abertura da investigação. O presidente do colegiado, Delegado Olim (PP), se absteve.
Na mesma sessão, o Conselho também arquivou um pedido de suspensão de 30 dias do mandato de Lucas Bove. A representação foi apresentada pela deputada Mônica Seixas, que acusou o parlamentar de violência política de gênero por falas consideradas ofensivas durante sessões na Alesp.
O relator do caso, Emídio de Souza, havia recomendado a suspensão temporária do deputado. No entanto, a maioria do colegiado votou pelo arquivamento da medida.
Foram cinco votos contrários à punição e dois favoráveis. Votaram pelo arquivamento Delegado Olim (PP), Rafael Saraiva (União Brasil), Bruno Zambelli (PL), Oseias de Madureira (PSD) e Eduardo Nóbrega (Podemos). Defenderam a suspensão Paula da Bancada Feminista (PSol) e Enio Tatto (PT).
Lucas Bove também responde na Justiça por violência doméstica contra a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas.
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