Diário de São Paulo
Siga-nos

Condenado por massacre no Morumbi Shopping volta a circular em Salvador após deixar internação judicial

Mateus da Costa Meira, responsável pela morte de três pessoas em uma sala de cinema em 1999, foi liberado pela Justiça da Bahia em 2024 e passou a frequentar locais públicos na capital baiana

Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Imagem: Reprodução | Redes Sociais

por Marina MilaniMais de duas décadas após protagonizar um dos crimes de maior repercussão no país, Mateus da Costa Meira, condenado pelo massacre ocorrido em uma sala de cinema do Morumbi Shoppin

Publicado em 09/07/2026, às 14h27


Mais de duas décadas após protagonizar um dos crimes de maior repercussão no país, Mateus da Costa Meira, condenado pelo massacre ocorrido em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, voltou a circular livremente por Salvador. Aos 51 anos, o ex-estudante de Medicina passou a frequentar um dos centros comerciais mais conhecidos da capital baiana, onde costuma visitar lojas, cafés, livrarias e salas de cinema.

A presença de Mateus no local chamou a atenção de frequentadores, que compartilharam imagens dele em grupos de mensagens. O caso voltou a gerar questionamentos sobre a decisão judicial que permitiu sua saída da internação e o retorno ao convívio social.

Em 1999, durante uma sessão do filme “Clube da Luta”, no Morumbi Shopping, Mateus entrou na sala de cinema armado com uma submetralhadora e matou três pessoas, além de deixar outras nove feridas. Inicialmente, ele foi condenado a 120 anos de prisão.

Durante o julgamento, a defesa tentou argumentar que ele não tinha capacidade de compreender a gravidade dos atos devido a transtornos mentais. A tese, porém, não foi aceita pela Justiça paulista. Peritos apontaram que Mateus apresentava condições de planejar suas ações e entender as consequências do crime.

Segundo os especialistas que avaliaram o caso na época, a preparação do ataque indicava organização e controle da conduta. A investigação apontou que ele comprou a arma, adquiriu munição, utilizou drogas antes do crime e tomou medidas para dificultar sua localização.

Após a condenação, Mateus foi encaminhado ao sistema prisional e, posteriormente, transferido para a Bahia para ficar mais próximo dos pais. Durante o período de cumprimento da pena, ele também respondeu por uma tentativa de homicídio contra outro detento, após atacar um colega de cela.

Mudança de entendimento judicial

Anos depois, um novo processo relacionado à tentativa de homicídio levou a uma reavaliação das condições psicológicas de Mateus. A Justiça baiana considerou que ele era inimputável naquele episódio e determinou sua internação em um hospital de custódia e tratamento psiquiátrico.

A liberação ocorreu em 2024, após avaliações e decisões judiciais que permitiram que ele continuasse o tratamento fora da instituição. Conforme a decisão, os pais seriam responsáveis pelo acompanhamento médico e pelo controle da medicação.

A situação, porém, passou a ser questionada após informações de que Mateus estaria morando sozinho em Salvador, apesar da previsão inicial de acompanhamento familiar.

Especialistas divergem sobre retorno à sociedade

Psiquiatras que acompanharam o caso apresentam avaliações diferentes sobre a possibilidade de convivência social do ex-estudante de Medicina. Alguns profissionais afirmam que ele ainda representaria risco e defendem a continuidade de uma medida de contenção.

Outros entendimentos jurídicos e médicos consideraram que não havia elementos suficientes para manter a internação por tempo indeterminado.

O Ministério Público da Bahia chegou a se manifestar contra a soltura e recorreu da decisão, mas Mateus permaneceu em liberdade.

O caso também é comparado ao de outros criminosos de grande repercussão que continuam submetidos a medidas de segurança por avaliações que apontam risco à sociedade.

A defesa, familiares e órgãos públicos envolvidos foram procurados para comentar a situação atual de Mateus, mas não houve manifestação até a publicação das informações.


últimas notícias