Uma operação da Polícia Civil desmantelou uma central de golpes instalada em um prédio comercial da Avenida Faria Lima, usada para enganar idosos com cobranças de dívidas inexistentes

William Oliveira Publicado em 23/01/2026, às 08h38
A Polícia Civil de São Paulo desarticulou, na última quinta-feira (22), uma sofisticada operação criminosa conhecida como “central de golpes”, instalada em um edifício comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, uma das regiões mais valorizadas e simbólicas do centro financeiro do país.
Segundo informações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os suspeitos utilizavam dados obtidos de forma ilícita para enganar vítimas, principalmente idosos, com a promessa de recuperação de supostos “créditos podres”. Convencidas pelos criminosos, as vítimas acabavam pagando dívidas inexistentes.
A escolha do endereço foi estratégica, já que o ambiente corporativo transmitia uma falsa sensação de legalidade às atividades fraudulentas. No local, funcionava uma empresa com atuação legítima no ramo de cobrança, enquanto outro setor do mesmo edifício era utilizado exclusivamente para a aplicação dos golpes.
Durante a operação, os policiais apreenderam documentos que comprovam as interações fraudulentas mantidas com as vítimas.
A ação integra a Operação “Título Sombrio”, conduzida por agentes da 4ª Delegacia da DCCIBER (Delegacia de Combate aos Crimes Cibernéticos). As investigações também identificaram uma central de cobranças falsa em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde outro ponto do esquema criminoso operava.
Ao todo, 12 suspeitos foram detidos e encaminhados à sede da DCCIBER, onde prestaram esclarecimentos sobre suas possíveis participações nos crimes investigados.
De acordo com os investigadores, o modus operandi do grupo consistia em abordar vítimas por telefone ou mensagens, utilizando informações pessoais obtidas ilegalmente. Os criminosos alegavam a existência de dívidas inexistentes e pressionavam, sobretudo idosos, a realizar pagamentos indevidos.
A eficácia do golpe era sustentada por um alto nível de intimidação. Entre as estratégias estavam o disparo em massa de mensagens que simulavam ordens judiciais, notificações extrajudiciais e alertas falsos de bloqueio de CPF. Em seguida, as vítimas eram direcionadas para atendimento telefônico.
Durante as ligações, os golpistas se apresentavam como integrantes de departamentos jurídicos ou empresas de cobrança, ameaçando penhoras de bens, protestos em cartório e bloqueios de benefícios financeiros.
As apurações ainda revelaram que os envolvidos estruturaram uma rede criminosa complexa, composta por diferentes empresas que compartilhavam sócios, dados operacionais e informações contábeis.
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