Vítima permanece em coma após ser arrastada por mais de 1 km e parentes pedem que população não caia em golpes

Gabriela Nogueira Publicado em 03/12/2025, às 18h27
A família de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vive dias de angústia desde o grave atropelamento que ocorreu no último sábado (29) na Marginal Tietê. A vítima foi atingida e arrastada por mais de um quilômetro, em um caso que chocou São Paulo e resultou na prisão de Douglas Alves da Silva, de 26 anos, detido no domingo em um hotel na Vila Prudente, Zona Leste da cidade.
Tainara permanece internada em estado crítico no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, o Vermelhinho. Ela está em coma induzido desde sua chegada e precisou passar por uma cirurgia de sete horas na terça-feira (02) para a colocação de pinos na bacia e instalação de uma sonda. Novos procedimentos ainda serão necessários devido às amputações e lesões graves provocadas pelo arrastamento.
Segundo o irmão, Luan Henrique, apesar da sedação profunda, Tainara apresentou algumas reações aos estímulos médicos. Ele descreveu emocionado a última visita: “É muito difícil ver minha irmã assim. O rosto dela ainda é o mesmo, só está mais inchado. Estamos desamparados.”
A vítima é mãe de duas crianças, um menino de 12 anos e uma menina de 7. A família decidiu que, por ora, os filhos não serão informados sobre o ocorrido. Eles estão sob os cuidados do pai.
Golpistas criam vaquinha usando o nome da vítima
Em meio à luta pela recuperação, a família ainda precisou lidar com outra dor: a criação de uma falsa campanha de arrecadação online em nome de Tainara, supostamente para custear próteses. Os parentes pedem que ninguém faça doações e alertam que não autorizaram iniciativas do tipo.
“A gente não está pedindo dinheiro. Só queremos orações pela vida dela”, declarou Luan, ao descobrir o golpe que circulava pela internet.
Como aconteceu o atropelamento
O crime ocorreu quando Tainara deixava um bar no Parque Novo Mundo após uma madrugada com amigos. Testemunhas relataram que Douglas iniciou uma discussão movida por ciúmes ainda dentro do estabelecimento. Amigos afirmam que eles não tinham um relacionamento assumido. “Ele chegou ao forró e já deu um soco num cara. Ela saiu para evitar confusão, mas ele esperou lá fora. Aconteceu essa tragédia”, contou a amiga Letícia Conceição.
Após o desentendimento, Douglas entrou em um Volkswagen Golf preto e acelerou em direção à vítima. Mesmo com gritos e tentativas de intervenção de testemunhas, o motorista fugiu em alta velocidade, arrastando a mulher por mais de um quilômetro, da Avenida Morvan Dias de Figueiredo até a Rua Manguari, já próximo à Marginal Tietê.
Prisão e alegações do acusado
Douglas foi localizado no dia seguinte em um hotel na Zona Leste. Durante a abordagem, resistiu à prisão, tentou tomar a arma de um policial e acabou baleado. Dentro da viatura, ele afirmou que pretendia atingir um acompanhante de Tainara que teria o ameaçado e negou conhecê-la — versão que contraria o relato de amigos e familiares.
Douglas Alves da Silva segue preso e deve responder por tentativa de feminicídio, lesão corporal gravíssima e outros crimes decorrentes da fuga e resistência à prisão.
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