Rede farmacêutica encerra operações na Zona Sul de São Paulo e planeja loja-conceito na Zona Norte, com estratégia voltada a serviços, e-commerce e entregas rápidas.

Ana Beatriz Publicado em 15/01/2026, às 13h22
A Ultrafarma iniciou uma profunda reestruturação em seu modelo de negócios ao decidir fechar todas as suas lojas físicas atuais e concentrar a operação em uma única loja-conceito, prevista para a Zona Norte de São Paulo. A mudança representa um reposicionamento estratégico da rede, que passa a apostar em escala, serviços e fortalecimento do comércio eletrônico.
Atualmente, a empresa mantém quatro unidades em funcionamento, todas localizadas na Avenida Jabaquara, na Zona Sul da capital paulista, região onde a Ultrafarma foi fundada há cerca de 25 anos. A companhia, no entanto, não informou quando as lojas serão oficialmente fechadas nem divulgou um cronograma para a inauguração da nova unidade.
A decisão ocorre aproximadamente seis meses após a prisão de Sidney Oliveira, fundador e principal rosto da marca, no contexto da Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A investigação apura um suposto esquema bilionário de corrupção envolvendo auditores fiscais estaduais e a concessão irregular de créditos de ICMS a grandes empresas do varejo.
Nova loja terá foco em serviços e escala
Segundo comunicado da Ultrafarma, a futura loja-conceito terá cerca de 3 mil metros quadrados e reunirá, em um único espaço, farmácia tradicional, farmácia de manipulação e ótica. A empresa não informou se a reestruturação implicará cortes no quadro de funcionários, mas a concentração das operações indica uma redução significativa da presença física da marca na cidade.
Paralelamente, a rede pretende acelerar a transformação digital. A estratégia inclui entrega expressa na Grande São Paulo e frete convencional para outras regiões do país, reforçando o papel do e-commerce como principal canal de vendas. Atualmente, a Ultrafarma opera um centro de distribuição em Santa Isabel, na Região Metropolitana paulista, que deve sustentar a nova logística.
Investigação bilionária acelerou mudanças
Deflagrada em agosto do ano passado, a Operação Ícaro resultou na prisão de Sidney Oliveira e de Mário Otávio Gomes, diretor estatutário do grupo Fast Shop. Ambos foram liberados posteriormente. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), o esquema beneficiava empresas do varejo por meio de ressarcimentos indevidos de ICMS, envolvendo cifras bilionárias.
As investigações apontaram Artur Gomes da Silva Neto, então supervisor da Diretoria de Fiscalização da Secretaria da Fazenda paulista, como um dos principais operadores do esquema. Apenas em 2024, o MP identificou 174 e-mails relacionados a benefícios fiscais ligados à Ultrafarma.
Estratégia mira eficiência e reconstrução
Com menos pontos físicos e maior integração ao ambiente digital, a Ultrafarma busca reduzir custos operacionais, ganhar eficiência logística e adaptar-se a um consumidor cada vez mais orientado à conveniência e à entrega rápida. Ao mesmo tempo, a empresa tenta reconstruir sua imagem institucional após o impacto das investigações.
O movimento sinaliza uma aposta clara em um modelo mais enxuto, com foco em escala, tecnologia e serviços, em meio a um dos momentos mais desafiadores da história da rede.
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