Após três dias de ventos fortes, mais de 700 mil pessoas ainda estão sem energia

Gabriela Thier Publicado em 12/12/2025, às 18h57
A Região Metropolitana de São Paulo vive, desde a última quinta-feira (11), uma grave crise de abastecimento de energia. A passagem de um ciclone extratropical, com ventos que ultrapassaram os 94 km/h, provocou a queda de árvores, rompimento de cabos e instabilidade generalizada na rede. Mais de 1,5 milhão de imóveis foram afetados e somente a capital, foram contabilizadas 1.023.823 residências sem energia, segundo dados da Enel.
O apagão teve início ainda na quarta-feira (10), quando mais de 2 milhões de unidades consumidoras chegaram a ficar sem luz. Passados 3 dias do vendaval, mais de 700 mil pessoas ainda permaneciam às escuras em diferentes municípios da Grande São Paulo, acumulando prejuízos financeiros, insegurança e desgaste emocional.
Espera prolongada
Em Suzano, na região do Alto Tietê, a moradora Soraide dos Santos Silva Ramos contabiliza mais de 24 horas sem energia, aproximadamente 27 horas no total, desde a manhã de quarta-feira (10) até o início da tarde de quinta.
Além do desconforto, ela relata prejuízos imediatos, principalmente com alimentos que estragaram na parte inferior da geladeira.
“Perdi manteiga, iogurte, queijo, presunto, carnes, legumes cozidos... Foi tudo para o lixo.”
Soraide afirma que o atendimento da concessionária EDP foi insuficiente. Todas as tentativas eram redirecionadas para um atendimento automático pelo WhatsApp, sem atualização concreta sobre o restabelecimento.
“Eles falavam que já estavam cientes e iriam arrumar, mas repetiam essa mensagem automática durante as 27 horas. Nunca fiquei tanto tempo sem energia.”
No bairro do Sacomã, zona sul da capital, o designer Arthur Marques, de 20 anos, está sem energia desde o dia 10. Ele conta que já viveu episódios semelhantes na região e teme pela repetição de longas demoras.
“Aqui no Sacomã já aconteceu um apagão que pegou o bairro inteiro. Voltou só depois de quatro dias.”
Sem luz, Arthur também teve alimentos perdidos. Na região, moradores também relatam dificuldades no contato com a Enel, distribuidora de energia responsável pela região.
A auxiliar de farmácia Elaine Lopes, 49 anos, viveu um cenário diferente, mas ainda alarmante, no Jardim Morro Verde, bairro da Zona Oeste de SP. A energia faltou das 11h40 do dia 10 até as 3h da madrugada do dia 11, cerca de 15 horas de interrupção.
Elaine conseguiu evitar danos aos eletrodomésticos e não perdeu alimentos. Apesar disso, diz que o atendimento da Enel também foi demorado e repetitivo.
“Fiz mais de cinco contatos, entre WhatsApp e aplicativo. Desde 2023 tem ocorrido muitos apagões por causa das chuvas. Em alguns bairros chega a ficar quatro dias sem energia.”
Moradores que sofreram prejuizo podem pedir ressarcimento; saiba como
Pronunciamentos
Responsável pela maioria das regiões afetadas pelo apagão a Enel se pronunciou em nota enviada ao G1 nesta sexta-feira afirmando que ainda "trabalha para restabelecer o serviço para cerca de 830 mil clientes (9,8% da base da distribuidora)" mas que já "restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 1,8 milhão de clientes, dos 2,2 milhões afetados".
Já a EDP por parte da região do Alto Tietê afirmou em nota que “antecipou-se com o reforço das equipes técnicas que seguem mobilizadas ao atendimento das ocorrências” destacando que priorizou atendimento “a hospitais, postos de saúde, escolas, creches, serviços essenciais”.
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