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DESPEDIDA

Último adeus a Pepe Mujica emociona Uruguai e líderes mundiais

Ex-presidente do Uruguai, José Mujica, será cremado e suas cinzas serão depositadas em sua chácara em Montevidéu, conforme seu desejo

Lula e outras autoridades compareceram ao velório de Mujica, que durou mais de 24 horas - Imagem: Reprodução / PR / Ricardo Stuckert
Lula e outras autoridades compareceram ao velório de Mujica, que durou mais de 24 horas - Imagem: Reprodução / PR / Ricardo Stuckert

William Oliveira Publicado em 16/05/2025, às 09h16


Nesta sexta-feira (16), o ex-presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, será cremado. Suas cinzas serão depositadas na chácara que foi seu lar em Rincón del Cerro, próximo a Montevidéu, em uma cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. Antes de falecer, Mujica expressou o desejo de descansar ao lado de sua fiel companheira, a cadela Manuela, falecida em 2018.

O velório de Mujica foi realizado no Palácio Legislativo e durou mais de 24 horas, encerrando-se na tarde de quinta-feira (15). Milhares de uruguaios e diversas autoridades estrangeiras participaram da homenagem. Entre os presentes estavam os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Gabriel Boric, do Chile.

Lula se emocionou ao lembrar do amigo: "Comovido pelo amor do povo do Uruguai ao meu amigo Pepe Mujica, me despeço da pessoa mais extraordinária que já conheci. Que a coragem, a simplicidade e o amor que marcaram sua vida sigam nos ajudando a trilhar o caminho que ele escolheu: o da luta por um mundo mais justo."

José Mujica faleceu na última terça-feira (13), aos 89 anos. Ele enfrentava um câncer de esôfago diagnosticado em 2024. Recentemente, anunciou que a doença havia se espalhado e optou por interromper o tratamento, considerando sua idade avançada e outras condições crônicas de saúde.

Quem foi Mujica?

Figura emblemática da esquerda latino-americana, José Alberto Mujica Cordano nasceu em Montevidéu em 20 de maio de 1935. Desde jovem, envolveu-se na política e integrou o Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, uma guerrilha urbana atuante na década de 1960.

Durante a ditadura uruguaia (1973–1985), foi preso quatro vezes, totalizando 14 anos de encarceramento. Foi libertado em 1985 com a anistia política, após o retorno da democracia sob o governo de Julio María Sanguinetti.

Iniciou sua carreira parlamentar como deputado em 1994 e foi eleito senador em 1999. Atuou como ministro da Agricultura no governo Tabaré Vázquez, em 2005, e foi eleito presidente do Uruguai em 2009. Durante seu mandato, promoveu reformas sociais marcantes, como a legalização da maconha, do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a redução da pobreza.

Admirado por sua vida simples, Mujica recusou morar no palácio presidencial, optando por viver em sua chácara e circular com um fusca azul. Também destinava 90% do salário presidencial a programas habitacionais, o que lhe rendeu o título de "presidente mais pobre do mundo".


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