Diretores de Inteligência e CIA afirmam que não havia informações confidenciais nas mensagens vazadas, mas o governo condena a divulgação

por Marina Milani
Publicado em 30/03/2025, às 09h38
O governo do ex-presidente Donald Trump está enfrentando sua primeira crise significativa após o vazamento de comunicações internas relacionadas à segurança nacional, que abordavam um ataque iminente no Iêmen. O incidente ocorreu na terça-feira (25), quando um bate-papo criptografado, que incluía membros seniores da Casa Branca, como o secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, foi acidentalmente compartilhado com um jornalista da revista The Atlantic.
Em resposta à onda de críticas resultantes do que ficou conhecido como "vazamento do grupo Houthi PC" na plataforma Signal, Trump minimizou a gravidade do evento em entrevista à NBC News, classificando-o como "a única falha [de seu governo] em dois meses, e não foi nada sério".
Conteúdo das mensagens vazadas
A administração tem se empenhado em atenuar as repercussões do incidente. Contudo, senadores republicanos demandaram uma investigação para apurar a divulgação não autorizada das informações sobre os planos militares no Iêmen. Apesar disso, membros do governo têm desconsiderado a relevância da conversa. Na segunda-feira (24), Hegseth declarou que "ninguém estava enviando planos de guerra por mensagem de texto".
Durante uma audiência no Senado realizada na quarta-feira (26), a diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, foram questionados sobre o conteúdo vazado e reafirmaram a inexistência de informações confidenciais nas mensagens trocadas.
Gabbard afirmou: "Não havia material confidencial compartilhado naquele grupo do Signal", enquanto Ratcliffe ressaltou que as comunicações eram "inteiramente permitidas e legais".
Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca, também reforçou essa posição em entrevista à The Atlantic, afirmando que "não houve informações confidenciais transmitidas no chat em grupo". No entanto, ela enfatizou que o governo se opõe à divulgação das conversas internas, visto que eram destinadas a ser discussões privadas entre altos funcionários.
A decisão judicial
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, indicou na mesma data que é improvável a instauração de uma investigação criminal acerca do vazamento das informações. Em suas declarações, Bondi comentou que se tratava de "informação sensível", mas não confidencial e divulgada inadvertidamente. Ela concluiu sugerindo que a atenção deveria estar voltada ao sucesso da missão militar em questão e não aos detalhes discutidos entre os membros do governo.
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