Presidente norte-americano afirmou que embarcações carregadas de petróleo já utilizam rota considerada segura; Irã confirma cobrança de taxas por serviços marítimos

Letícia Sales Publicado em 15/06/2026, às 13h14
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (15) que navios começaram a retomar a travessia pelo Estreito de Ormuz após o anúncio do acordo de paz firmado entre Washington e Teerã, encerrando mais de três meses de conflito.
Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que embarcações, muitas delas transportando petróleo, já estão utilizando a rota sul do estreito, considerada mais distante do território iraniano e próxima às águas de Omã e da Arábia Saudita.
"Os navios estão começando a se movimentar, muitos carregados de petróleo, para fora do Estreito de Ormuz. Eles estão seguindo pela 'Rodovia' do Sul, que é totalmente segura e preservada. Existem outras rotas de navegação também!!!", escreveu o presidente norte-americano.
O governo iraniano não havia confirmado a informação sobre a movimentação das embarcações até a última atualização.
O acordo de paz foi anunciado no domingo (14) pelas partes envolvidas e, segundo mediadores paquistaneses, deverá ser oficialmente assinado na próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
Apesar do avanço diplomático, um novo ponto de divergência surgiu nesta segunda-feira. Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que o entendimento prevê a inexistência de qualquer cobrança para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.
No entanto, autoridades iranianas apresentaram uma interpretação diferente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, informou que o país passará a cobrar taxas relacionadas a serviços prestados às embarcações.
"Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar taxas de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários", disse.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Estima-se que cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos globalmente passe pela região, o que torna qualquer alteração em sua operação um tema de grande impacto para a economia internacional.
Durante a mesma entrevista, Trump também afirmou que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, contribuíram para a construção do acordo de paz. O norte-americano ainda declarou que o entendimento evitou uma escalada militar de grandes proporções na região.
"Apesar das objeções do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a acordo, salvei Israel da destruição nuclear", afirmou Trump.
O presidente dos Estados Unidos também indicou que mantinha alternativas mais rígidas caso as negociações fracassassem, mas destacou que a solução diplomática prevaleceu após meses de tensão no Oriente Médio.
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