Presidente afirma que empresas americanas vão aplicar ao menos US$ 100 bilhões no setor e indica que Washington passará a controlar a exploração e a receita do petróleo.

Ana Beatriz Publicado em 09/01/2026, às 15h23
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (9) que grandes petrolíferas norte-americanas devem investir “pelo menos US$ 100 bilhões” na Venezuela nos próximos anos. A declaração foi feita em entrevista à emissora Fox News e ocorre poucos dias após a ofensiva militar dos EUA que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e na instalação de um governo interino no país.
Segundo Trump, o plano envolve a reconstrução completa da infraestrutura petrolífera venezuelana e a ampliação da presença de empresas dos Estados Unidos no setor energético local. “Eles vão reconstruir toda a infraestrutura de petróleo. Vão gastar pelo menos US$ 100 bilhões. O petróleo que eles têm é inacreditável, tanto em qualidade quanto em quantidade”, afirmou.
De acordo com o presidente, executivos das principais companhias petrolíferas americanas se reuniriam ainda nesta sexta-feira com a Casa Branca para definir os próximos passos da operação e o papel das empresas na exploração das reservas venezuelanas.
Petróleo venezuelano sob nova administração
Nos últimos dias, Trump declarou que a Venezuela deverá entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. A estatal PDVSA confirmou que negocia um acordo de venda com o governo americano. Atualmente, a Chevron é a única empresa dos EUA autorizada a operar formalmente no país, mas Washington pretende abrir espaço para outras gigantes do setor.
A Venezuela é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, embora sua produção tenha despencado nas últimas duas décadas. Trump chegou a afirmar que os Estados Unidos devem “administrar” o setor energético venezuelano por anos, utilizando os recursos como parte de uma nova estratégia econômica e geopolítica.
Em entrevista ao The New York Times, o presidente norte-americano disse que o governo interino venezuelano está “entregando tudo o que consideramos necessário”, em referência ao controle das receitas e da logística do petróleo.
Receita sob controle dos EUA
Autoridades americanas confirmaram que a renda obtida com a venda do petróleo venezuelano será depositada em contas sob controle dos Estados Unidos, devido às sanções ainda vigentes e à exclusão da Venezuela do sistema internacional de pagamentos Swift.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os recursos serão usados “em benefício do povo americano e do povo venezuelano”, discurso que vem sendo reiterado pelo governo Trump. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, negou acusações de apropriação indevida. “Não estamos roubando o petróleo de ninguém”, declarou.
Reação internacional e tensão com a China
Até a ofensiva americana, a China era o principal destino do petróleo venezuelano, que vinha sendo vendido com descontos devido às sanções. Analistas avaliam que a nova estratégia dos EUA pode redirecionar parte significativa dessas exportações, aumentando a tensão entre Washington e Pequim.
O governo chinês reagiu duramente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, classificou a ação como intimidação. “O uso descarado da força pelos Estados Unidos e a exigência de ‘América em primeiro lugar’ enquanto a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos são atos típicos de coerção”, afirmou.
A ofensiva amplia as críticas internacionais à atuação dos EUA na Venezuela e marca uma nova fase da crise no país, agora centrada no controle direto de recursos estratégicos e na reconfiguração forçada de sua economia.
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