Presidente dos EUA questiona viabilidade de acordo enquanto conflito no Oriente Médio se intensifica

Letícia Sales Publicado em 26/03/2026, às 12h49
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou dúvidas nesta quinta-feira (26) sobre a possibilidade de um acordo de paz com o Irã, em meio à intensificação do conflito que envolve também Israel. Durante reunião de gabinete na Casa Branca, o republicano indicou que pode desistir das negociações em breve.
"Eles estão implorando para chegar a um acordo", afirmou. "Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso."
Trump também rebateu relatos de que estaria pressionando por uma solução diplomática, afirmando que a iniciativa partiu do próprio governo iraniano. "Eles não são tolos. Na verdade, são muito inteligentes, de certa forma", disse, ao classificar os iranianos como "grandes negociadores".
Apesar disso, o presidente sugeriu que o momento para um acordo pode já ter passado. "Eles deveriam ter feito isso há quatro semanas", declarou. "Veremos se eles querem fazer isso", acrescentou. “Enquanto isso, vamos continuar a derrotá-los sem qualquer impedimento.”
O conflito no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel que resultou na morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. A operação também atingiu membros da alta cúpula do regime e estruturas militares estratégicas.
Em resposta, o Irã lançou ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel em diversos países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. O confronto também se estendeu ao Líbano, com a atuação do Hezbollah, aliado de Teerã.
Segundo organizações de direitos humanos, mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra. Do lado americano, ao menos 13 soldados foram mortos em ataques iranianos, de acordo com a Casa Branca.
Após a morte de Ali Khamenei, o país nomeou como novo líder supremo Mojtaba Khamenei, filho do antigo dirigente. A escolha foi criticada por Trump, que classificou a decisão como um "grande erro" e afirmou que o nome seria "inaceitável" para liderar o país.
O cenário segue marcado por incertezas, com riscos de ampliação do conflito e impasses diplomáticos cada vez mais evidentes.
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