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Odebrecht

Testemunha-chave no caso Odebrecht no Peru é encontrada morta em Lima

José Miguel Castro era delator em processo contra a ex-prefeita de Lima, Susana Villarán, e aguardava julgamento em prisão domiciliar

Castro colaborava com o Ministério Público e era réu em um caso que envolve pagamentos indevidos de construtoras brasileiras. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Castro colaborava com o Ministério Público e era réu em um caso que envolve pagamentos indevidos de construtoras brasileiras. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

por Marina Milani

Publicado em 01/07/2025, às 09h48


Uma das principais testemunhas do caso de corrupção envolvendo as construtoras brasileiras Odebrecht e OAS no Peru foi encontrada morta neste domingo (29), em sua residência no distrito de Miraflores, em Lima. Trata-se de José Miguel Castro, ex-gerente municipal da capital peruana durante a gestão de Susana Villarán (2011–2014).

Castro colaborava com o Ministério Público em regime de prisão domiciliar e era considerado peça-chave nas investigações sobre repasses ilegais das empreiteiras brasileiras. As contribuições teriam sido feitas para financiar uma campanha contra a revogação do mandato de Villarán em 2013.

A morte ocorre a menos de três meses do início do julgamento de Susana Villarán, marcado para o dia 23 de setembro. O procurador da força-tarefa da Lava Jato no Peru, José Domingo Pérez, lamentou o falecimento e destacou a relevância do depoimento de Castro para o caso. “Ele era a segunda pessoa em importância depois da senhora Villarán”, afirmou à emissora local Canal N.

Além de colaborador, Castro também era réu no processo. Segundo o Ministério Público peruano, ele integrava uma organização criminosa que teria recebido mais de US$ 10 milhões em pagamentos indevidos da Odebrecht e da OAS.

Susana Villarán, de 75 anos, responde em liberdade vigiada desde 2021. O MP solicitou pena de 29 anos de prisão contra a ex-prefeita por crimes como associação ilícita, conluio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em 2019, Villarán admitiu ter recebido recursos da Odebrecht e da OAS para a campanha de permanência no cargo, mas afirmou que o valor foi de US$ 4 milhões — bem abaixo dos US$ 10 milhões apontados pela acusação.

O ex-chefe da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata, confirmou às autoridades locais que a empresa fez doações com o objetivo de evitar que suas obras fossem interrompidas pela troca de gestão em Lima. O depoimento de Barata integra o acordo de colaboração premiada firmado entre a empreiteira e o Ministério Público peruano.

A causa da morte de José Miguel Castro ainda não foi divulgada oficialmente. As investigações estão em andamento.


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