Ao longo de um ano, o tratado possibilitou a exportação de mais de 32 milhões de toneladas de cereais ucranianos

Marina Roveda Publicado em 18/07/2023, às 08h02
Nesta segunda-feira (17), a Rússiaanunciou o término de sua participação no acordo de grãos do mar Negro, que permitia à Ucrânia exportar seus grãos por via marítima. Essa decisão causou preocupação em entidades como a ONU (Organização das Nações Unidas), que temem que o fim do tratado possa levar milhões de pessoas à fome.
O acordo vinha desempenhando um papel importante na mitigação da crise alimentar mundial provocada pela guerra na Ucrânia. O país é um dos principais fornecedores de alimentos para várias nações, especialmente aquelas consideradas em desenvolvimento. Ao longo de um ano, o tratado permitiu a exportação de mais de 32 milhões de toneladas de cereais ucranianos.
A Ucrânia é um dos três maiores exportadores globais de cevada, milho e óleo de colza, segundo a Gro Intelligence, uma empresa de dados agrícolas. Além disso, é o maior exportador mundial de óleo de girassol, sendo responsável por 46% das exportações globais desse produto.
Com o fim do acordo, é esperado que haja uma redução na disponibilidade de alimentos e um aumento nos preços dos grãos. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Adam Hodge, afirmou em um comunicado que a decisão da Rússia "agravará a insegurança alimentar e prejudicará milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo".
O Comitê Internacional de Resgate (IRC) alertou, em novembro, que o fim do acordo atingiria, principalmente, aqueles que "estão à beira da fome". Na região da África Ocidental, por exemplo, aproximadamente 80% dos grãos são exportados da Rússia e da Ucrânia.
Embora seja difícil medir exatamente a redução das exportações de grãos da Ucrânia, é certo que o alto custo do seguro dos navios pode ser um problema no futuro. Os navios que desejam atravessar o mar Negro precisam fazer um seguro de milhares de dólares, e as empresas de navegação podem hesitar em enviar seus navios para a zona de guerra se não houver o aval russo.
Nas últimas semanas, o governo russo vinha reclamando que seus interesses estavam sendo ignorados e deu indícios de que o acordo seria interrompido. Moscou se queixa, em particular, de que seu setor agrícola, um dos principais produtores do mundo, é afetado pelas sanções impostas pelo Ocidente, que têm "bloqueado as exportações agrícolas russas".
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