Nova diretriz do governo orienta médicos a tentar convencer mulheres a terem filhos em meio à queda histórica da natalidade.

Redação Publicado em 20/03/2026, às 09h33
O governo da Rússia começou a recomendar que mulheres que não desejam ter filhos sejam encaminhadas a psicólogos, como parte de uma estratégia para enfrentar a crise demográfica, com a diretriz aprovada no final de fevereiro.
Atualmente, a taxa de natalidade na Rússia é de aproximadamente 1,4 filho por mulher, bem abaixo do índice necessário de 2,1 para manter a estabilidade populacional, levando o Kremlin a considerar a baixa natalidade uma ameaça à sobrevivência nacional.
Além de incentivar o acompanhamento psicológico para mulheres, o governo tem endurecido políticas demográficas, incluindo restrições ao aborto e benefícios para famílias numerosas, enquanto a nova diretriz deve intensificar o debate sobre políticas públicas e escolhas pessoais.
O governo da Rússia passou a recomendar que mulheres que não desejam ter filhos sejam encaminhadas a psicólogos, como parte de uma estratégia para enfrentar a crise demográfica no país. A diretriz foi aprovada no fim de fevereiro e divulgada nesta semana.
Segundo o Ministério da Saúde russo, médicos devem orientar mulheres entre 18 e 49 anos a realizar exames anuais para avaliar a saúde reprodutiva e, nos casos em que a paciente manifeste não querer ser mãe, sugerir acompanhamento psicológico com o objetivo de estimular uma visão mais positiva sobre a maternidade.
A medida integra um conjunto mais amplo de ações adotadas pelo governo para tentar reverter a queda acentuada na taxa de natalidade. Atualmente, a Rússia registra cerca de 1,4 filho por mulher, índice bem abaixo do necessário para manter a estabilidade populacional, estimado em 2,1.
Embora as recomendações também incluam exames para homens na mesma faixa etária, nesses casos o foco é exclusivamente na saúde física, sem previsão de encaminhamento psicológico.
A baixa natalidade tem sido tratada como uma questão estratégica pelo Kremlin. O governo russo já alertou, em anos recentes, para o risco de redução populacional severa, classificando o cenário como uma ameaça à própria sobrevivência nacional.
Nos últimos anos, a política demográfica do país se tornou mais rígida. O governo endureceu regras relacionadas ao aborto e passou a incentivar famílias numerosas com benefícios econômicos e sociais. Em 2024, o Parlamento aprovou uma lei que proíbe a promoção de estilos de vida sem filhos, reforçando a pressão institucional sobre decisões reprodutivas.
A nova diretriz reforça essa linha de atuação e deve ampliar o debate internacional sobre os limites entre políticas públicas e escolhas individuais.
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