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Escalada Militar

Rússia lança míssil com capacidade nuclear contra Kiev e conflito entra em nova fase de escalada

Uso do sistema Oreshnik, resposta ucraniana em território russo e pressão internacional ampliam riscos do confronto iniciado em 2022.

Explosões iluminam o céu de Kiev após ataque russo com mísseis supersônicos durante ofensiva aérea de larga escala - Imagem: Reprodução/X
Explosões iluminam o céu de Kiev após ataque russo com mísseis supersônicos durante ofensiva aérea de larga escala - Imagem: Reprodução/X

Ana Beatriz Publicado em 09/01/2026, às 08h04


A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou em uma nova e perigosa fase de escalada militar após Moscou lançar, na noite de quinta-feira (8), ao menos um míssil balístico supersônico Oreshnik, projetado para cenários de guerra nuclear, contra alvos na capital ucraniana, Kiev, e em outras regiões do país. O ataque deixou ao menos quatro mortos e 22 feridos, segundo autoridades ucranianas, e foi seguido por uma retaliação de Kiev em território russo, que afetou diretamente a população civil.

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia disparou 36 mísseis e 242 drones durante a ofensiva. O Ministério da Defesa russo confirmou o uso do sistema Oreshnik, um míssil de alcance intermediário, capaz de transportar ogivas nucleares, embora não haja indicação de que as armas utilizadas estivessem equipadas com cargas atômicas.

Ataque estratégico e recado ao Ocidente

O lançamento do Oreshnik ocorreu a partir de um local estratégico ligado a testes nucleares das forças russas, marcando a segunda vez na guerra que esse tipo de armamento é empregado. A primeira ocorreu em novembro de 2024, quando um disparo experimental atingiu uma fábrica aeroespacial em Dnipro, com danos limitados, já que o míssil carregava ogivas falsas.

Desta vez, porém, as explosões ocorreram mais próximas da fronteira com a Polônia, país membro da Otan e da União Europeia, o que elevou o nível de alerta no continente. Explosões também foram registradas nas proximidades de Lviv, no oeste da Ucrânia. As autoridades locais informaram que não houve aumento nos níveis de radiação, afastando, por ora, o risco nuclear direto.

Especialistas interpretam o uso do Oreshnik como um sinal geopolítico claro ao Ocidente, em meio à pressão europeia por um acordo de paz favorável a Kiev e poucos dias após forças dos Estados Unidos apreenderem um petroleiro de bandeira russa transportando petróleo venezuelano embargado.

Justificativa russa e negação ucraniana

O Kremlin afirmou que o ataque foi uma resposta a uma suposta tentativa de ofensiva contra a residência do presidente Vladimir Putin, ocorrida em dezembro de 2025. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, negou qualquer envolvimento no episódio.

Segundo Moscou, os bombardeios tiveram como alvo infraestruturas energéticas que sustentam o complexo militar-industrial ucraniano e instalações de fabricação de drones.

Retaliação ucraniana atinge população russa

Horas após o ataque russo, a Ucrânia respondeu com uma ofensiva contra a região russa de Bélgorod, na fronteira entre os dois países. De acordo com o governador local, Viacheslav Gladkov, o ataque atingiu a infraestrutura de serviços públicos e deixou 556 mil pessoas sem eletricidade em seis municipalidades. Quase o mesmo número ficou sem aquecimento, em meio a temperaturas próximas de zero grau.

Arma de difícil interceptação

Os mísseis Oreshnik, também identificados por analistas ocidentais como uma adaptação do modelo RS-26 Rubezh, são classificados como hipersônicos, superando cinco vezes a velocidade do som. Eles transportam múltiplas ogivas que se separam durante o voo, tornando sua interceptação extremamente complexa. A Ucrânia não dispõe atualmente de sistemas de defesa aérea capazes de neutralizar esse tipo de armamento.

Conflito sem perspectiva imediata de trégua

A ofensiva russa ocorreu poucos dias após Kiev rejeitar um plano europeu que previa o envio de uma força multinacional ao país em um cenário de cessar-fogo. O episódio reforça a percepção de que o conflito, iniciado em 2022, segue sem perspectivas concretas de solução diplomática no curto prazo, agora com riscos ampliados para a segurança regional e global.


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