Organização Prisoners Defenders afirma que a ilha registrou 28 novos casos em maio e relaciona avanço das prisões à crise econômica, aos protestos populares e ao agravamento das condições de vida da população.

Ana Beatriz Publicado em 13/06/2026, às 22h43
O número de presos políticos em Cuba alcançou um recorde histórico de 1.281, conforme relatório da Prisoners Defenders, refletindo a crescente repressão em resposta a manifestações populares contra a crise econômica e social.
Em maio, 28 novas detenções foram registradas, muitas ligadas a protestos motivados por apagões, escassez de água e alimentos, evidenciando a deterioração das condições de vida da população cubana.
A organização denuncia a ampliação das medidas repressivas do Estado e a presença de adolescentes em prisões para adultos, enquanto o governo cubano nega a classificação de presos políticos, alegando que as detenções são por crimes previstos na legislação.
O número de presos políticos em Cuba atingiu o maior patamar já registrado, segundo levantamento divulgado pela organização espanhola de direitos humanos Prisoners Defenders. De acordo com o relatório, o país encerrou o mês de maio com 1.281 pessoas classificadas como presas por motivos políticos ou de consciência, estabelecendo um novo recorde histórico.
Os dados mostram que apenas no mês de maio foram registrados 28 novos casos. Segundo a entidade, grande parte dessas detenções está relacionada a manifestações populares motivadas pelos frequentes apagões, pela escassez de água potável, pela falta de alimentos e pela deterioração das condições econômicas e sociais enfrentadas pela população cubana.
O presidente da organização, Javier Larrondo, afirmou que os números representam apenas uma parcela da realidade vivida no país. Para ele, a crise que se aprofundou nos últimos anos vem sendo acompanhada por um aumento das medidas repressivas adotadas pelo Estado. Em declaração reproduzida pelo portal 14ymedio, Larrondo afirmou que a comunidade internacional não pode ignorar a situação enfrentada pelos cubanos.
De acordo com o relatório, a deterioração das condições internas se intensificou após os grandes protestos populares iniciados em 2021, quando milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades do país. Organizações de direitos humanos sustentam que, desde então, houve um crescimento das prisões, das ações contra opositores e do monitoramento sobre ativistas, jornalistas independentes e cidadãos críticos ao governo.
Entre os novos presos políticos mencionados pela entidade estão mulheres ativistas, pessoas que fizeram publicações críticas ao governo nas redes sociais e cidadãos detidos após participarem de manifestações pacíficas. O documento também denuncia a presença de adolescentes em unidades prisionais destinadas a adultos, além de relatar casos de tortura, maus tratos, ameaças, falta de atendimento médico adequado e outras violações de direitos humanos.
A Prisoners Defenders afirma ainda que a crise econômica e a repressão caminham lado a lado. Segundo a organização, o colapso de serviços básicos, os problemas de abastecimento e as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica aumentaram o descontentamento popular, enquanto a resposta estatal teria sido a ampliação das detenções e da perseguição a manifestantes.
O governo cubano tradicionalmente rejeita a classificação de presos políticos utilizada por organizações internacionais e sustenta que pessoas detidas durante protestos respondem por crimes previstos na legislação do país. Entidades de direitos humanos, por outro lado, defendem que muitos dos encarcerados foram presos por exercerem liberdades fundamentais, como a manifestação pacífica e a liberdade de expressão.
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